5 anos de covid: como a pior pandemia de nossa geração mudou o mundo, da saúde e ciência à economia e política

“Pandemia não é um termo que deve ser usado de modo leve ou descuidado. É uma palavra que, se mal utilizada, pode causar medo irracional ou uma aceitação injustificada de que a luta acabou. Ambos levam a sofrimento e mortes desnecessárias.”

Esse foi um dos trechos do discurso feito pelo biólogo etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus em 11 de março de 2020, dia em que a covid-19 foi oficialmente classificada como uma pandemia.

“Nós acabamos de soar um alarme alto e claro”, afirmou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) naquela ocasião.

No início de 2020, pouco mais de dois meses após o surgimento de uma “pneumonia misteriosa” em Wuhan, na China, a doença causada pelo novo coronavírus havia provocado 118 mil casos e 4,2 mil mortes em 114 países.

No desenrolar de meses e anos seguintes, a covid se espalharia por todos os continentes, com 778 milhões de casos e pelo menos 7 milhões de mortes registrados — embora algumas estimativas indiquem que esse número de óbitos possa ter ultrapassado a casa dos 20 milhões.

No Brasil, 37,5 milhões foram infectados e 700 mil acabaram mortos, segundo as estatísticas oficiais.

Passados cinco anos desde o início da emergência global de saúde, o que mudou no mundo, da saúde à ciência, da economia à política?

A seguir, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil discutem as cicatrizes que a covid-19 deixou no planeta — e se estamos mais preparados (ou não) para lidar com as próximas pandemias.

Os primeiros passos: achatar a curva e se proteger

Num cenário onde ainda não existiam vacinas e pouco se sabia sobre as formas de transmissão do Sars-CoV-2 (o coronavírus causador da covid-19), uma das primeiras medidas adotadas pelos países para conter a crise foi pedir — ou até mesmo determinar com a força da lei — que as pessoas ficassem em casa.

As escolas, o transporte público, as lojas e muitos escritórios foram fechados por tempo indeterminado.

Um dos bordões mais usados nesse período era “achatar a curva” — ou seja, conter o ritmo de transmissão do vírus, para que a onda de novas infecções não se transformasse num tsunami devastador.

Ou seja, se os casos de infecção não subissem tão rapidamente, os hospitais teriam capacidade de atender os casos mais graves conforme eles aparecessem.

Passados cinco anos desse período, o matemático Adam Kucharski defende que a estratégia de achatar a curva era necessária naquele momento, para evitar que os sistemas de saúde de fato entrassem em colapso.

“Quando um hospital fica lotado, as mortes aumentam por causa da falta de oxigênio e de outros recursos”, explica o especialista, que é professor de Epidemiologia de Doenças Infecciosas na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, no Reino Unido.

“Mas talvez aquela ideia de que teríamos apenas um único pico de covid-19, que poderia ser adiado ou diluído, se mostrou enganosa em muitos países. Em lugares com uma grande população de idosos, essa doença era grave demais para uma única onda que não excederia a capacidade dos sistemas de saúde”, pondera ele.

Para Kucharski, muitos governos “não deixaram claro o que era viável e eficaz em termos de controlar” a disseminação do coronavírus.

“Durante uma pandemia, as decisões têm uma espécie de ‘dependência das primeiras escolhas’: se você segue por um caminho no início, como permitir uma quantidade elevada de infecções, pode ter opções reduzidas num futuro próximo. Muitos países descobriram que estavam no caminho errado tarde demais, antes de considerar quais alternativas estavam disponíveis”, analisa ele.

O matemático destaca que os planos sobre o que fazer deveriam estar concluídos antes de uma crise global de saúde estourar — nunca durante uma situação como essa.

Cartaz em inglês pede que as pessoas fiquem em casa para salvar vidas

Ainda nessa primeira fase da pandemia, vale destacar as recomendações sobre os demais cuidados preventivos — como lavar bem as mãos, limpar superfícies, melhorar a ventilação de lugares fechados, usar máscaras ao sair de casa e ficar em isolamento caso apareçam sintomas sugestivos da infecção (tosse, mal-estar, febre, dor no corpo…).

Essa lista de cuidados foi influenciada pelo debate sobre como o coronavírus é transmitido. De início, entidades como a própria OMS destacaram que o patógeno passava de uma pessoa para outra por meio de gotículas de saliva que são expelidas por boca ou nariz no ato de falar, tossir ou espirrar.

Com o passar do tempo, no entanto, descobriu-se que o vírus também pode infectar por meio do aerossol, um tipo de partícula que também sai por boca e nariz, mas é muito menor e capaz de permanecer em suspensão no ar por um tempo prolongado (em comparação com as gotículas de saliva, que são maiores e mais pesadas).

“Inicialmente, a OMS se concentrou nas partículas maiores como as principais fontes de exposição [ao coronavírus]. Alguns cientistas que trabalham nesta área consideram que a entidade não prestou atenção suficiente aos aerossois”, lembra o virologista Mark Sobsey, pesquisador e professor do Departamento de Ciências Ambientais e Engenharia da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

“Mas, à época, as evidências para os riscos de transmissão de patógenos por aerossol eram muito limitadas e não estavam bem documentadas com base em trabalhos científicos confiáveis e rigorosos”, complementa ele.

Foi necessário, então, entender essa dinâmica das partículas transportadas pelo ar — uma informação fundamental para criar políticas de prevenção da covid-19 mais efetivas.

Para Sobsey, a pandemia de covid-19 revelou “as deficiências em reconhecer, antecipar e responder aos patógenos” que podem provocar enormes crises.

“Desde então, a OMS e a comunidade global de saúde criaram sistemas novos e melhores para lidar com essas necessidades, que incluem a vigilância e a monitorização de patógenos, inclusive com o auxílio da inteligência artificial”, complementa ele.

A revolução dos imunizantes

Durante quase 60 anos, a vacina que protege contra a caxumba deteve o recorde de rapidez no desenvolvimento: os pesquisadores levaram cerca de quatro anos para criar, testar e obter a aprovação deste produto, que chegou ao mercado a partir de 1967.

Essa marca histórica foi obliterada durante a pandemia de covid-19.

Se considerarmos que os primeiros casos da doença começaram a ser registrados no final de dezembro de 2019 e uma dose de vacina aprovada pelas agências regulatórias foi aplicada na inglesa Margaret Keenan no dia 8 de dezembro de 2020, essa corrida na busca por soluções efetivas contra o coronavírus foi concluída em menos de doze meses.

Entre o final de 2020 e o início de 2021, diversas plataformas vacinais mostraram resultados animadores em termos de segurança e eficácia.

Foi o caso dos imunizantes de mRNA, desenvolvidos por Pfizer/BioNTech e Moderna, de vetor viral, criados por AstraZeneca/Oxford e Janssen, e as de vírus inativado, como a CoronaVac, da Sinovac/Butantan.

Esses produtos ganharam uma aprovação emergencial das agências regulatórias (como o FDA nos EUA e a Anvisa no Brasil) e passaram a ser usados em larga escala, nas maiores e mais rápidas campanhas de vacinação em massa já registradas.

“Nesse período, aprendemos que as novas plataformas vacinais são muito importantes para enfrentar surtos, epidemias e pandemias. O desenvolvimento tradicional de vacinas, que usualmente leva dez anos ou mais, pode ser desafiado, com resultados de qualidade”, comemora a médica Sue Ann Costa Clemens, professora titular de Saúde Global do Departamento de Pediatria da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

“Também aprendemos que desenvolver essas inovações em pouco tempo depende de uma integração de diferentes setores, que vão desde a concepção da molécula, a manufatura e os sistemas de saúde”, complementa ela, que ainda ocupa o cargo de chefe do Instituto de Saúde Global da Universidade de Siena, na Itália.

É claro que a disponibilização das vacinas contra a covid-19 num prazo tão curto dependeu de diversos fatores.

Como outros coronavírus — caso de Sars e Mers — já haviam causado surtos localizados em anos anteriores, os cientistas possuíam alguma experiência e um conhecimento acumulado sobre a estrutura e o funcionamento dessa família de patógenos.

Mesmo plataformas inéditas, como o mRNA, que até então não havia sido usado para criar uma vacina, era alvo de pesquisas há décadas — num trabalho que, inclusive, rendeu o Prêmio Nobel de Medicina de 2023 para a bioquímica húngara Katalin Karikó e o imunologista americano Drew Weissman.

A criação de vacinas contra a covid-19 bateu todos os recordes anteriores de desenvolvimento de imunizantes

Cinco anos depois, porém, os desafios relacionados à vacinação da covid-19 se modificaram.

“Precisamos entender as necessidades de uma situação de pandemia, de emergência, e o contexto do dia a dia, dentro dos sistemas nacionais de imunização”, diferencia Clemens.

“Durante uma pandemia, buscamos produtos com alta eficácia e agilidade no desenvolvimento e no escalonamento da produção. Já para a rotina, necessitamos de vacinas seguras, com maior durabilidade, um acondicionamento viável e baixo impacto orçamentário.”

“As vacinas de mRNA, por exemplo, têm excelente eficácia e representam um avanço inenarrável para a ciência, a medicina e a saúde global. No entanto, elas ainda apresentam um custo elevado e requerem doses de reforço com maior frequência, a cada 6 meses, o que traz um impacto orçamentário grande”, pondera a médica, que também é consultora-sênior para o desenvolvimento de vacinas da Fundação Bill & Melinda Gates.

Em outras palavras, na avaliação de Clemens, é preciso superar essas barreiras para que as inovações e tecnologias, vitais para acabar com a mais recente pandemia, se encaixem melhor na rotina dos programas de imunização de cada país.

Mas os desafios não param por aí. “Há necessidade de melhorar a vigilância global de novos patógenos, atualizar a regulamentação das agências sanitárias e fazer a manutenção das redes de laboratório e pesquisa clínica”, lista Clemens.

Ao lado de outros especialistas, a médica propõe a criação de uma “biblioteca” de protótipos de vacinas.

A ideia é que essas “receitas” para produzir imunizantes contra os patógenos que geram preocupação e têm potencial de causar surtos, epidemias e pandemias no futuro estejam amplamente disponíveis aos cientistas do mundo inteiro. Assim, fica mais fácil desenvolver, testar e fabricar doses com rapidez, para conter o problema antes que ele se agrave.

“E não podemos nos esquecer da hesitação vacinal, que requer informações adequadas e o combate às notícias falsas, e das dificuldades de acesso às doses, pois até hoje existem países com menos de 5% da população vacinada contra a covid-19.”

Um mundo (ainda) mais desigual

As vacinas contra a covid, aliás, foram um exemplo de como a luta contra a pandemia em escala global foi desequilibrada.

Quando os imunizantes foram aprovados, os países ricos logo garantiram a maior fatia das primeiras doses produzidas. As nações mais pobres tiveram que aguardar meses até que pudessem receber alguns lotes desses produtos.

Um artigo assinado por pesquisadores da Universidade de Utah, nos EUA, dá a dimensão da disparidade: em julho de 2021, 80% da população mundial tinha acesso a 5% das doses de vacina disponíveis, enquanto os outros 20% abocanharam 95% dos imunizantes.

Nesses 20%, estão representadas as nações mais ricas, mesmo aquelas que integravam a Covax, uma iniciativa da OMS que tentou garantir uma distribuição mais homogênea das doses pelo planeta.

“A pandemia nos lembrou que, na verdade, certas cidadanias e certos passaportes têm mais direito à vida do que outros, apesar do que consta na Declaração dos Direitos Humanos e outros documentos do tipo”, lamenta o economista Francisco Ferreira, diretor do Instituto de Desigualdades Internacionais da Escola de Economia de Londres.

O especialista, aliás, entende que a pandemia trouxe diversos outros exemplos de disparidades.

“A covid-19 revelou, ou chamou mais atenção, para algumas formas de desigualdade que já existiam, exacerbou algumas outras e criou novos problemas”, avalia ele.

Um exemplo da primeira categoria são as questões habitacionais. Pessoas que já viviam em favelas ou moradias precárias sempre sofreram com a falta de acesso a serviços como água potável e saneamento básico — algo que se tornou ainda mais aparente durante a emergência sanitária.

“Nesses casos, a capacidade de fazer isolamento passou a representar uma questão de vida ou morte”, destaca Ferreira.

“Já entre as desigualdades que foram exacerbadas, estão aquelas entre trabalhadores formais e informais. Quando a economia fechou, o primeiro grupo tinha maior facilidade em manter os empregos ou pelo menos ter acesso a benefícios públicos, como o seguro-desemprego. Já os trabalhadores informais, principalmente aqueles cujo ofício envolvia contato direto com o público, simplesmente perderam o ganha-pão, ao menos até a criação de benefícios emergenciais.”

Já entre as novas formas de desigualdade criadas a partir da pandemia, o economista lembra da possibilidade de trabalho remoto, que geralmente ficou restrita a quem possuía um maior nível de educação.

Algumas desigualdades foram aprofundadas e exacerbadas durante a pandemia

O epidemiologista Michael Marmot, diretor do Instituto de Equidade em Saúde da Universidade College London, na Inglaterra, concorda que a covid-19 revelou, exacerbou e aprofundou as desigualdades — tanto na comparação entre países como entre cidades, Estados ou regiões de uma mesma nação.

“Antes da pandemia, os dados já demonstraram que, quanto maior o nível de privação econômica de um lugar, maior a taxa de mortalidade por todas as causas ali. A covid-19 acentuou isso ainda mais”, explica ele.

“Indivíduos que moravam em casas lotadas, ocupavam posições da linha de frente, não podiam trabalhar de casa, entre outros fatores, estavam potencialmente mais expostos ao coronavírus”, complementa o pesquisador.

Marmot também entende que a emergência sanitária escancarou os problemas nos sistemas de saúde — a falta de insumos, leitos hospitalares, remédios, máscaras e outros equipamentos aprofundou ainda mais a crise em alguns lugares.

Talvez um dos maiores exemplos disso seja a cidade de Manaus, que no início de 2021 sofreu com a crise da falta de oxigênio e ganhou as manchetes do mundo pela quantidade de mortes registradas.

“Os sistemas de saúde precisam ter uma taxa de ociosidade e uma certa folga no uso de recursos. Se 100% dos leitos hospitalares estão ocupados o tempo todo, certamente isso representa um problema”, analisa ele.

Ferreira e Marmot veem a necessidade de criar mecanismos para fortalecer organizações globais de saúde, como a OMS, para uma resposta mais coordenada (e igualitária) na próxima emergência global — embora ambos tenham uma visão pessimista sobre o futuro.

“Precisamos garantir o acesso universal às vacinas, que devem ser encaradas como um bem comum”, sugere o epidemiologista.

“Mas definitivamente não estamos hoje mais preparados para enfrentar a próxima pandemia”, complementa ele.

“E o ressurgimento de governos altamente nacionalistas e tribalistas, como o de Donald Trump, nos Estados Unidos, só piora essa situação”, constata Ferreira.

Perda de confiança, desilusão e radicalização

Num artigo intitulado As Cicatrizes Políticas de Epidemias, publicado em junho de 2020, os autores discutiam qual seria o legado do coronavírus — e projetaram que jovens adultos (dos 18 aos 25 anos), uma faixa etária de formação da visão de mundo e das preferências políticas, seriam negativamente impactados, especialmente em quesitos como a confiança que eles depositam nas instituições e nos líderes de seus países.

Segundo eles, esse problema seria mais grave nos locais cujos governos se mostraram “fracos”, com “menos capacidade de agir para conter a pandemia”.

Passados cinco anos, os responsáveis pela análise consideram que as projeções se concretizaram — e tendem a se consolidar nas próximas décadas.

O economista Cevat Giray Aksoy, pesquisador sênior do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, aponta que a pandemia foi um “teste de estresse” para governos e escancarou “fraquezas estruturais profundas”.

O Banco Mundial, por exemplo, calcula que o PIB global teve uma contração de 3,4% em 2020, com uma redução de 4,7% nas economias avançadas e 2,2% nos mercados emergentes.

“Esse choque sem precedentes lançou 97 milhões de pessoas na extrema pobreza, no que foi o primeiro crescimento deste indicador em duas décadas”, diz Aksoy, que também é professor associado do Departamento de Política Econômica do King’s College, em Londres.

E a recuperação econômica depois dessa primeira retração não foi sólida, considera ele. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que o crescimento global vai se estabilizar em 3,2% em 2024 e 2025.

“No entanto, a previsão de longo prazo é menos otimista, com a expectativa de que essa taxa decaia para 3,1% nos próximos cinco anos, a mais baixa projeção das últimas décadas. Isso reflete desafios estruturais permanentes, como a queda da produtividade e os declínios demográficos”, destaca o economista.

Aksoy pontua que as consequências econômicas da pandemia — aumento de inflação, desemprego, desigualdade… — ampliaram a falta de confiança.

“Tudo isso reforçou a percepção de que os governos ou são incapazes ou não possuem a vontade para atender as necessidades imediatas dos cidadãos”, diz ele.

Nos Estados Unidos, por exemplo, um levantamento do Centro de Pesquisa Pew de 2024 mostrou que apenas 22% dos americanos tinham confiança de que o governo faz o certo “sempre” ou “na maioria das vezes”.

Já o Barômetro de Confiança da Edelman de 2025 revelou que, numa escala global, 60% das pessoas demonstram alguma preocupação com a economia.

“E uma parcela significativa dos indivíduos que participaram desse levantamento acredita que ações hostis, inclusive com violência, podem ser necessárias para gerar mudanças”, destaca Aksoy.

“Isso mostra uma preocupante virada de chave para a desilusão e, em alguns casos, para a radicalização.”

“E essas atitudes, quando ganham força em um período tão importante da vida de um indivíduo, entre os 18 a 25 anos, tendem a persistir e influenciar o comportamento político por muitos anos”, prevê ele.

O economista Orkun Saka, outro autor do artigo publicado em 2020, vê com preocupação a mudança das preferências políticas, principalmente entre os mais jovens, que se mostram cada vez mais abertos às ideias de partidos da direita radical.

“Isso não é particularmente surpreendente diante de nossos achados”, constata o especialista, que é professor associado da City University of London, também no Reino Unido.

Economistas apontam Brasil como exemplo de ‘respostas inconsistentes’ e ‘brigas políticas’ durante a pandemia

Mas será que essa reação da população variou conforme as ações que cada governo tomou durante a pandemia?

Aksoy diz que sim — e cita dois países como exemplo.

“No Brasil, respostas inconsistentes e brigas políticas durante a crise sanitária erodiram a confiança nas instituições entre os eleitores. Esse declínio criou um terreno fértil para a instabilidade política e a desilusão”, cita ele.

“Em contraste, a Nova Zelândia teve uma resposta à pandemia caracterizada por ações decisivas, rápidas e transparentes, permeadas por uma comunicação empática. Esses esforços não apenas controlaram a circulação do coronavírus, como também aumentaram a confiança da população, especialmente das camadas mais jovens”, compara ele.

Para o pesquisador, as políticas públicas dos dois países demonstram como “a confiança do público nas instituições durante crises não é influenciada apenas pela gravidade dos eventos, mas também pela forma como os governos respondem”.

“Lideranças efetivas e transparentes podem mitigar problemas políticos e econômicos de longo prazo, enquanto políticas inconsistentes ou mal geridas exacerbam a desilusão e a polarização”, observa ele.

Saka reforça que intervenções políticas mais efetivas e rápidas — na forma de regras de distanciamento social, uso de máscaras, entre outros — resultaram num menor número de casos e mortes por covid-19.

“E isso, por sua vez, mostrou à população desses lugares que eles tinham um governo no qual podiam confiar”, diz ele.

“Na contramão, reações lentas e atrapalhadas, como as tomadas no Reino Unido, criaram decepção e desconfiança, especialmente em novas gerações que possivelmente testemunharam pela primeira vez o governo ser testado”, opina o economista.

Mas o que esperar para os próximos anos? Essas marcas da covid-19 continuarão visíveis em toda a sociedade? Ou elas vão cicatrizar depois de algum tempo?

Para Aksoy, isso vai depender das escolhas que os governos farão a partir de agora.

“Investimentos no crescimento econômico igualitário, em sistemas modernos de educação e no acesso aos cuidados de saúde, em paralelo a respostas transparentes às preocupações das pessoas, podem reconstruir a confiança e gerar resiliência.”

“Mas, sem reformas significativas, nós corremos o risco de entrar numa era prolongada de instabilidade política, divergência econômica e enfraquecimento da cooperação global, com profundas implicações na governança e na coesão social”, responde ele.

Saka pontua que a pandemia recente, assim como alguns outros eventos parecidos registrados ao longo da história, indicam que formou-se uma “geração covid-19”, com indivíduos que vão “apresentar crenças e comportamentos políticos diferentes pelos próximos 20 anos”.

“Diante disso, posso predizer que esses fatores só vão acelerar o ritmo da atual mudança política em direção a partidos populistas e extremistas nos próximos 10 ou 15 anos”, acredita o economista.

Perguntas sem respostas e esquecimentos coletivos

Em meio a toda essa convulsão social, o “aniversário” de cinco anos da pandemia também chama a atenção para a falta de soluções diante de alguns dos mistérios fundamentais relacionados à covid-19.

O primeiro deles: de onde surgiu o coronavírus?

Um corpo de evidências científicas aponta para um spillover, ou seja, o patógeno possivelmente “pulou” de um animal para seres humanos, fato que parece ter ocorrido num mercado de frutos do mar em Wuhan, na China.

Mas há um grupo de especialistas que defende com unhas e dentes que o vírus vazou de um laboratório de pesquisas, embora não existam muitos fatos documentados que corroborem essa teoria.

Outra pergunta: por que alguns pacientes desenvolvem a covid longa?

“Ainda não sabemos. Há pesquisadores que investigam a presença de alguns biomarcadores no organismo dessas pessoas”, responde a médica Trish Greenhalgh, do Departamento de Ciências da Saúde em Atenção Primária da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

“Em resumo, pessoas que tiveram um quadro mais severo, não tinham se vacinado quando pegaram covid-19 pela primeira vez, possuem outras doenças de base ou não puderam repousar durante a infecção têm mais probabilidade de desenvolver a covid longa”, lista a pesquisadora.

Manaus foi um dos epicentros da pandemia e passou por uma grave crise de falta de oxigênio no início de 2021

Numa esfera mais existencial, quase filosófica, há uma questão que sempre aparece na mente de quem acompanhou de perto a emergência sanitária global: será que estamos nos esquecendo de tudo o que vivemos durante a pandemia de covid-19?

O neurocientista Kevin LaBar, da Universidade Duke, nos Estados Unidos, avalia que esse é um processo natural que acontece na nossa cabeça.

“Com o passar do tempo, as memórias tendem a desvanecer, mesmo aquelas relacionadas a eventos importantes”, constata ele.

“Isso acontece porque o cérebro tem uma capacidade limitada, então precisamos dedicar a energia disponível para codificar memórias dos novos eventos que acontecem em nossas vidas. Daí as lembranças de eventos passados, mesmo que relevantes, são comprimidas e arquivadas com menos vivacidade e detalhes.”

No caso específico da covid-19, LaBar entende que, embora o início da crise tenha sido similar para praticamente todo mundo (com os primeiros casos, o lockdown, um temor generalizado…), o desenrolar dos eventos se diferenciou de acordo com a vivência de cada um.

“A maioria das pessoas vai se lembrar de como a vida se modificou diante das primeiras restrições, mas, ao longo do tempo, a rotina se estabeleceu segundo a natureza do trabalho ou diante de episódios específicos, como uma infecção ou a morte de um ente querido”, raciocina o neurocientista.

“E isso cria dificuldades para cultivar uma espécie de ‘memória coletiva’ da pandemia de covid-19”, conclui ele.

Brasil realmente cobra taxas altas de produtos dos EUA como diz Trump?

O Brasil entrou na mira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um dos países que pode sofrer aumento das tarifas de importação — embora não esteja totalmente claro quando e como, já que o republicano tem feito sucessivos anúncios e adiamentos de tarifaços contra diferentes países.

No caso do Brasil, além dos já anunciados aumentos de taxas nas compras de aço, alumínio e etanol, outros impostos podem ser elevados dentro da nova “política de reciprocidade” do americano.

A justificativa de Trump é que o Brasil é um dos países que cobra tarifas altas demais sobre produtos exportados pelos EUA.

Na sua visão, a Casa Branca deve elevar suas tarifas de importação ao mesmo patamar dos tributos cobrados sobre seus produtos exportados.

“Outros países usaram tarifas contra nós por décadas e agora é a nossa vez de começar a usá-las contra esses outros países”, declarou Trump em discurso ao Congresso americano, na terça-feira (4/2).

“Em média, a União Europeia, China, Brasil, Índia, México e Canadá — vocês já ouviram falar deles? – e inúmeros outros países nos cobram tarifas muito mais altas do que cobramos deles”, continuou.

Estatísticas de comércio exterior apontam que, de fato, o Brasil cobra, em média, tarifas de importação maiores sobre os produtos americanos do que o contrário.

Por outro lado, os itens com maior volume de importação têm tarifas menores ou mesmo zeradas. Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, entram no país sem pagar imposto produtos oriundos dos EUA como aeronaves e suas partes, petróleo bruto e gás natural.

Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) a partir de dados do Banco Mundial, a tarifa média simples aplicada pelo Brasil às importações dos EUA foi de 11,3% em 2022 (dado mais recente disponível).

Ou seja, era mais que cinco vezes a tarifa média simples cobrada dos EUA sobre as importações brasileiras (2,2%).

Já quando se calcula uma média ponderada pelo volume das importações, a taxa brasileira continua maior, mas a diferença cai.

Isso ocorre porque a tarifa média paga pelos exportadores na prática é menor, já que produtos com maior volume de importação dos dois lados tem tarifas mais baixas ou mesmo zeradas.

Considerando essa tarifa efetiva, o Brasil cobrou em média 4,7% sobre importações vindas dos EUA em 2022, informa a nota do FGV Ibre, a partir de dados do Banco Mundial.

Por outro lado, produtos brasileiros sofreram taxação efetiva média de 1,3% ao entrarem no mercado americano.

Já uma nota divulgada pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil, estima que o Brasil cobrou uma tarifa média ponderada ainda menor em 2024, de 2,7%.

“Essa diferença ocorre devido à alta participação de produtos americanos com alíquota zero nas importações brasileiras, como aeronaves e suas partes, petróleo bruto e gás natural, além do uso de regimes aduaneiros especiais – como drawback, ex-tarifário e Recof – que reduzem ou eliminam impostos sobre importações dos Estados Unidos”, diz a nota.

“Como resultado, mais de 48% das exportações americanas para o Brasil entram sem tarifas, e outros 15% estão sujeitos a alíquotas de no máximo 2%”, continua o texto.

Os regimes especiais de tributação citados na nota permitem, sob algumas condições, que empresas importem máquinas e equipamentos para melhorar sua produção com desconto nas tarifas de importação.

Esses produtos, em geral, têm tarifas mais altas, com o objetivo de proteger a indústria de máquinas brasileira.

Pesquisadora associada do FGV Ibre e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Lia Valls ressalta que as tarifas brasileiras não são fixadas de forma específica para um ou outro país, mas valem para produtos, independentemente da sua origem.

Isso só varia quando há acordos de livre comércio, como no caso do Mercosul.

De modo geral, explica, o Brasil protege pouco o setor agropecuário na comparação com outros países, mas há mais protecionismo para a indústria.

“Na área industrial, por exemplo, se você compara com a Índia, que também é muito protecionista, em alguns setores, o Brasil protege até mais do que a Índia, principalmente alguns tipos de bens de capital, de alguns bens eletrônicos”, compara.

“Então, em termos de médias tarifárias, pensando em país grande, o Brasil tem tarifas médias mais elevadas. E existe todo um debate sobre se a gente deve reduzir essas tarifas, principalmente de bens de capital e bens intermediários, que têm um efeito direto sobre o custo de produção da indústria”, nota a professora.

EUA não têm capacidade de produzir todo o aço consumido no país e dependem de importações

Qual pode ser o impacto para o Brasil?

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.

Historicamente, a balança comercial tem sido favorável para os americanos, que acumularam saldo positivo de US$ 43 bilhões nos últimos dez anos, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil.

Olhando apemas para o último ano, o resultado ficou mais equilibrado.

Em 2024, o país de Trump “foi o destino de 12% das exportações brasileiras, totalizando US$ 40,4 bilhões, e origem de 15,5% das nossas importações (US$ 40,7 bilhões)”, destaca um relatório sobre o tema publicado pelo departamento econômico do Bradesco em fevereiro.

Ainda segundo o banco, os principais produtos exportados para os EUA são óleos brutos e combustíveis de petróleo, produtos de ferro e aço, aeronaves, café e celulose.

Já os mais importados pelo Brasil são motores e máquinas não elétricos, óleos combustíveis e brutos de petróleo, aeronaves e gás natural.

Se não houver recuo do presidente americano, a previsão é que os primeiros alvos brasileiros serão o etanol, taxado em 18% a partir do dia 2 de abril, e o aço e o alumínio, com tarifas de 25% a partir de 12 de março.

No caso do aço, além da questão da reciprocidade, Trump diz que as tarifas são importantes para a defesa do país porque incentivam os produtores nacionais a aumentarem sua capacidade de produção.

Ele quer que os EUA sejam capazes de fornecer aço suficiente para produzir armas em tempos de guerra sem depender de importações.

No seu primeiro governo, o republicano também elevou a tarifa sobre aço e alumínio, mas depois concedeu cotas de importação (volume que poderia ser importado com imposto menor), o que reduziu o impacto sobre o Brasil.

Dessa vez, porém, ele diz que não haverá esse mecanismo. “É 25% sem exceções ou isenções”, anunciou em fevereiro.

“Lógico que tem impacto para a indústria brasileira, porque fica mais caro e os Estados Unidos são um mercado importante nessa questão”, afirma Lia Valls, do FGV Ibre.

“E não é fácil para o Brasil desviar essa exportação para outros locais porque você concorre com a China [outro importante exportador de aço]”, ressalta.

O Bradesco destaca em seu relatório que o Brasil exportou US$ 4,1 bilhões (5,8 milhões de toneladas) de aço para os Estados Unidos em 2024, representando 60% do todo o produtor embarcado.

Considerando a capacidade de expansão da produção americana, o banco estima que o aumento de tarifa anunciado por Trump “poderia reduzir em até US$ 0,7 bilhão as exportações brasileiras do produto”.

Já no caso do etanol, a professora Lia Valls não espera um impacto importante, pois a produção brasileira atende principalmente o mercado interno.

“Hoje, o Brasil cobra 18% de tarifa e eles cobram 2,5%. Só que mexer nisso é uma maluquice porque os Estados Unidos não têm excesso de etanol pra exportar para o Brasil, nem o Brasil precisa importar tanto etanol assim”, explica.

No entanto, outros produtos agrícolas podem ser impactados, caso seja adotada uma política ampla de reciprocidade.

“Outro que pode entrar é a carne bovina, porque a gente aumentou a exportação e o Brasil tem a tarifa também [maior que a deles]. Já tem grupos [de produtores americanos] reclamando da entrada de carne bovina brasileira. Suco de laranja, que a gente exporta, eles podem também querer aumentar a tarifa para penalizar o Brasil”, exemplifica.

Segundo Valls, os itens mais taxados na importação brasileira são bens manufaturados, categoria que o país exporta menos para os Estados Unidos. Então, se houver reciprocidade nesses produtos também, o impacto pode não ser tão relevante.

O Bradesco estimou qual será o efeito caso o governo Trump decida igualar todas as tarifas de importação cobradas do Brasil com as que o país cobra de produtos dos EUA — ou seja, elevar sua tarifa média para 11,3%.

“Nesse exercício, encontramos uma redução de cerca de US$ 2,0 bilhões nas exportações (5% do total embarcado)”, diz o relatório.

O impacto poderia ser reduzido em caso de nova desvalorização do real.

“Em um exercício hipotético, a depreciação equivalente do real, necessária para compensar essa perda, seria da ordem de 1,5%, com um impacto potencial estimado ligeiramente inferior a 0,1 ponto percentual no IPCA [índice de inflação], como resposta direta à depreciação cambial”, afirma o banco.

O vaivém trumpista

Donald Trump disse que o comércio internacional é manipulado contra os EUA

Para a professora Lia Valls, o pior efeito da política de comércio exterior de Trump é o aumento da imprevisibilidade.

“O pior para o Brasil e para outros países é essa instabilidade tarifária porque comércio exterior depende de planejamento, de contrato. A incerteza já está presente, afeta decisões, investimentos”, resume.

O presidente americano anunciou na quinta-feira (6/3) que os EUA suspenderão temporariamente a maioria das tarifas que haviam imposto ao México e ao Canadá dois dias antes.

Com a decisão, ficam sem efeito no momento a maioria das novas taxas de 25% aplicadas sobre produtos mexicanos e canadenses.

O congelamento, que expira em 2 de abril, foi anunciado pelo presidente americano em sua plataforma Truth Social após uma conversa dele com a mandatária mexicana, Claudia Sheinbaum.

“Após conversar com a presidente Claudia Sheinbaum do México, concordei que o México não será obrigado a pagar tarifas sobre qualquer item abarcado pelo tratado USMCA”, escreveu Trump na rede social Truth. Depois, a Casa Branca adicionou que o Canadá também seria beneficiado pelo acordo.

O tratado USMCA – acrônimo com as iniciais em inglês de Estados Unidos, México e Canadá – é uma atualização do Nafta (acordo de livre comércio da América do Norte), que vigorou entre 1994 e 2018.

Na quarta-feira (5/3), Trump já havia recuado parcialmente e oferecido isenção, por um mês, para empresas automotivas que importem ou exportem do Canadá e do México. O recuo é uma resposta ao pedido feito diretamente ao presidente por três montadoras: General Motors, Stelantis e Ford.

Economia cresceu 3,4% em 2024, mas desaceleração deste ano preocupa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Industria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin (PSB), e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, comemoraram, nesta sexta-feira (7), nas redes sociais, o crescimento de 3,4% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2024. Enquanto isso, entidades patronais enviaram nota demonstrando preocupação com a desaceleração da atividade econômica que já está contratada para 2025 e, provavelmente, para 2026.

“PIB crescendo é mais emprego e renda na mão dos brasileiros e das brasileiras. 2025 é o ano da colheita”, escreveu Lula em seu perfil do X, antigo Twitter. Na mesma rede, Alckmin festejou: “É o Pibão do presidente Lula! O Pibão da Nova Indústria Brasil!”, escreveu o ex-tucano, destacando a política voltada para a indústria nacional conduzida por ele frente ao Mdic e o avanço de 7,3% no investimento produtivo e garantiu que o país caminha para o crescimento sustentável.

A ministra do Planejamento, por sua vez, também festejou o resultado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas redes sociais, e destacou para o dado da renda per capita, que cresceu um pouco menos do que o PIB nacional, que somou R$ 11,7 trilhões. “Boa notícia! O PIB per capita do Brasil em 2024 foi de R$ 55.247,45. Cresceu 3% em termos reais. Isso equivale a R$ 4.604 por mês por habitante. Significa aumento da renda média do brasileiro. Agora é seguir avançando, combatendo a inflação para baratear o preço dos alimentos”, escreveu Tebet, no X.

Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi mais contido, cumpriu agenda da semana longe de Brasília e só se pronunciou sobre o PIB à noite. Em entrevista ao podcast Flow, único compromisso oficial ontem, ele afirmou que a pasta projeta crescimento de 2,5% neste ano, acima da última previsão oficial, de 2,3%.

Desaceleração

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) demonstrou preocupação com o processo de desaceleração do PIB no último trimestre do ano, que registrou variação de 0,2%, mas elogiou as medidas do governo para o setor produtivo. Para a instituição, esse resultado indica “um cenário de alerta para 2025” e ainda defendeu que o governo adote medidas para o equilíbrio econômico e que contribuam para a racionalidade dos gastos públicos. “Precisamos buscar o equilíbrio fiscal, com atenção às despesas, uma vez que a carga tributária já está no limite, principalmente para o setor industrial que é o mais sobrecarregado do país em relação a tributos”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban, na nota.

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) engrossou o coro e defendeu a adoção de uma reforma fiscal robusta para uma alocação mais eficiente dos recursos públicos. “Este é o primeiro passo para a construção de um Estado eficiente, com infraestrutura de qualidade e um ambiente de negócios favorável. Caso contrário, voltaremos à combinação perversa de crescimento mediano, alta inflação e juros elevados”, afirmou o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart, no comunicado.

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, também demonstrou preocupação com o processo de desaceleração da atividade. Ele lembrou que, apesar das previsões modestas no começo do ano passado por analistas e agentes econômicos, o resultado do PIB de 2024 foi robusto, “confirmando o bom desempenho da atividade econômica”, os dados mais recentes da economia, incluindo os do PIB 4º trimestre de 2024, “já mostram sinais mais claros de acomodação da atividade econômica”.

“É importante não perdermos de vista que temos de persistir no recuo dos impulsos fiscais por conta da necessidade imperiosa de fortalecermos o equilíbrio das contas públicas, condição para o Brasil alcançar patamares de juros estruturalmente menores”, defendeu Sidney.

Crescimento

A atividade econômica brasileira desacelerou no último trimestre de 2024, o que resultou em crescimento de 0,2% — menos da metade do esperado pelo mercado. Com esse resultado, o Produto Interno Bruto (PIB) do país encerrou o ano com crescimento de 3,4% na comparação com 2023. Em valores nominais, o PIB, que é a soma de tudo o que o país produz em bens e serviços, chegou a R$ 11,7 trilhões.

O dado também ficou levemente abaixo das estimativas do mercado e do governo, que chegou a cogitar alta de até 3,7%, mas indica o melhor desempenho das contas nacionais desde 2021, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (7). De acordo com os dados do IBGE, os principais motores para o desempenho do PIB no ano passado vieram, do lado da oferta, dos serviços e da indústria, que cresceram 3,7% e 3,3%, respectivamente, em relação a 2023.

Enquanto isso, a agropecuária, que deu uma forte contribuição no PIB de 2023, encolheu -3,2%. A arrecadação de impostos cresceu 5,5% e ajudou a ampliar o valor adicionado de riquezas do país ampliando a participação no PIB de 14,5%, em 2023, para 16%, em 2024.

Consumo

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias e os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) foram os principais destaques, com expansão de 4,8% e de 7,3%, respectivamente, na mesma base de comparação. Analistas lembram que a taxa de investimento, de 17% do PIB, cresceu em relação aos 16,4% do PIB registrados em 2023. Contudo, esse patamar ainda está abaixo dos índices acima de 20% do PIB computados entre 2009 e 2013.

De acordo com analistas, o aumento da renda das famílias, devido à melhora no mercado de trabalho, e estímulos fiscais, como o Bolsa Família parrudo e o aumento real no salário mínimo, são algumas das razões para que o consumo das famílias apresentasse o maior crescimento desde 2011. Mas, a escalada dos juros e a persistência da inflação fizeram esse indicador recuar 1% no 4º trimestre, acentuando o processo de desaceleração que deverá se estender para 2025, ano em que o PIB poderá crescer menos de 2%, conforme algumas estimativas.

“A economia está desacelerando e não podemos descartar queda de PIB no segundo semestre deste ano”, alertou a economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria. Ela esperava alta de 0,4% do PIB de outubro a dezembro. “Esse PIB mais fraco mostra que a desaceleração é maior do que o esperado por conta da queda da demanda. Isso indica que o consumo das famílias e os investimentos tendem a ser mais fracos ao longo deste ano, como reflexo da política monetária e do mercado mais tenso devido à percepção de risco maior no cenário externo”, explicou.

“Esse cenário apenas está chancelando o movimento de aumento da Selic que vem sendo conduzido pelo Banco Central”, acrescentou. O BC vem elevando a taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 13,25% ao ano e pode encerrar 2025 em 15%, segundo estimativas do mercado. A economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), lembrou que, apesar do crescimento considerado forte do PIB em 2024, acima do crescimento potencial, isso vem contribuindo para a desancoragem das expectativas de inflação, que não param de ser revisadas para cima e seguem acima do teto da meta, de 4,5%.

Matos também reconheceu que o aumento de 4,8% do consumo das famílias em 2024 superou as estimativas e agora, haverá um cabo de guerra entre a política monetária e a política fiscal, se o governo resolver manter estímulos para evitar a desaceleração que está em curso. “O custo para conseguir reduzir a inflação tende a ser maior e vai ser um problema ao longo deste ano e do próximo, que tem as eleições presidenciais”, alertou. Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, é categórico ao avaliar o desempenho do PIB de 2024 e avalia que a desaceleração de 2025 está convergindo para uma alta do PIB entre 1,5% e 2%.

A Suécia ‘já não é um país em que não se pode confiar’

Guerras, conflitos entre fronteiras e convulsões geopolíticas raramente são considerados benéficos para os negócios.

Mas, aparentemente, a invasão da Ucrânia pela Rússia trouxe impactos positivos para dois dos vizinhos do agressor, no lado ocidental: a Finlândia e a Suécia.

É claro que não diretamente. Na verdade, foi a reação das duas nações nórdicas à invasão que transformou o medo em esperança.

Os dois países pediram para fazer parte da Otan, a aliança de defesa do Ocidente, em maio de 2022 – cerca de três meses após a invasão russa. E, quase três anos depois do pedido, ambos são membros plenos e já colhem seus benefícios, em termos econômicos e de segurança nacional.

“Não somos mais um país em que não se pode confiar”, destaca o executivo-chefe da empresa de defesa sueca Saab, Micael Johansson. Ele se refere à neutralidade histórica do país antes da guerra na Ucrânia.

Johansson destaca que, desde que a Suécia entrou na Otan, em março de 2024, a Saab já negociou acordos estruturais com a Agência de Apoio e Aquisições da Otan (NSPA, na sigla em inglês), o organismo que organiza as compras feitas pela aliança junto a empresas de defesa.

Ele destaca que, agora, é muito mais fácil saber o que está acontecendo dentro da Otan. “Até então, não tínhamos acesso à NSPA”, ele conta.

O embaixador da Finlândia no Reino Unido, Jukka Siukosaari, concorda. Para ele, “fazer parte da Otan nos coloca em pé de igualdade com todos os outros aliados, aumentando as possibilidades das empresas finlandesas de defesa e de outros setores.”

Para Micael Johansson, existe a percepção cada vez maior que a Europa precisa fazer mais sozinha

As empresas privadas irão se beneficiar com as promessas feitas pelos Estados-membros da Otan de aumentar seus gastos com a defesa.

Atualmente, apenas 23 dos 32 Estados-membros da organização cumprem com a meta de gastar 2% do PIB com a defesa. Mas, nos últimos meses, as pretensões aumentaram – e chegaram ao ápice nas últimas semanas, em meio às grandes turbulências vividas atualmente pela aliança.

Em meio às incertezas sobre o futuro da Otan, os compromissos com o aumento dos gastos certamente irão permanecer e até se ampliar, caso a Europa decida que não poderá mais contar com os Estados Unidos.

Os compromissos de gastos com a defesa dos membros mais novos da Otan já são maiores do que os indicados por vários membros mais antigos.

No ano passado, a Finlândia gastou 2,4% do PIB com a defesa, enquanto os gastos da Suécia atingiram 2,2%. Os dois países pretendem aumentar estes índices para 2,6 a 3% do PIB nos próximos três anos.

Exemplos de novas iniciativas da Otan no extremo norte da Europa incluem o estabelecimento de duas novas bases da organização e os esforços para formar forças de defesa conjuntas no norte da Finlândia.

Os planos incluem também a formação do Comando Aéreo Nórdico Conjunto, que irá reunir 250 aeronaves da linha de frente de combate da Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca sob uma estrutura de comando comum, com bases flexíveis e apoiada por inteligência compartilhada.

Além disso, serão necessários investimentos substanciais para reabastecer os estoques de armamentos avançados, como mísseis e sistemas antitanques, segundo Johansson.

Enquanto a Casa Branca anunciava a suspensão do auxílio militar americano à Ucrânia, líderes europeus declararam sua disposição de manter seu apoio a longo prazo. Por isso, também aqui, podemos esperar gastos contínuos e substanciais com armamentos.

A demanda por programas de vigilância aérea e sistemas subaquáticos também é cada vez maior, já que o retorno das tensões entre a Rússia e o Ocidente causa novos calafrios na região do Ártico.

A Saab está disposta a promover suas próprias soluções nestas áreas, como a plataforma de controle e alerta aéreo antecipado GlobalEye e seu veículo subaquático com controle remoto que pode neutralizar dispositivos explosivos, chamado Sea Wasp (“Vespa do Mar”).

E, com a forte insistência de Donald Trump em manter “a América em primeiro lugar”, o presidente americano provavelmente não ficará satisfeito ao ver os membros europeus da Otan dando preferência à Saab ou a qualquer outra empresa de defesa europeia, em detrimento dos Estados Unidos.

Por isso, a Europa precisará encontrar o equilíbrio entre o desejo de reduzir sua dependência e sua óbvia necessidade de manter o apoio americano.

Os membros europeus também precisarão considerar a complexidade e a interdependência dos sistemas de defesa da Otan. Eles costumam combinar máquinas e tecnologias, armas e munição, equipamentos e veículos produzidos em diversos países-membros da aliança.

Por isso, a Otan, de certa forma, é mantida coesa por complexas cadeias de abastecimento e acordos contratuais, que não podem ser desfeitos da noite para o dia.

“As relações transatlânticas da Europa sempre serão importantes”, afirma Johansson. Mas ele também indica uma “percepção cada vez maior na Europa de que precisamos fazer algo mais sozinhos”.

Como outros membros da Otan, os países nórdicos estão aumentando seus gastos militares

“Os Estados Unidos realmente protegem sua indústria de defesa e devemos fazer o mesmo na Europa”, segundo ele. Ele é favorável à “feroz concorrência” entre as empresas de defesa comerciais.

Mas grande parte desta concorrência pode envolver companhias relativamente novas no setor de defesa.

A agência de promoção do comércio do governo finlandês, Business Finland, publicou um guia que orienta as empresas sobre como fazer negócios com a Otan. Seus autores preveem que as forças armadas dos dois lados do Atlântico terão “novas e significativas necessidades de serviços e equipamentos, de alta e baixa tecnologia”.

Muitas dessas necessidades precisarão ser atendidas por start-ups e empresas de pequeno a médio porte, segundo o guia, não exclusivamente por grandes companhias de defesa estabelecidas.

O consultor de política de defesa e segurança da Confederação das Empresas Suecas, Johan Sjöberg, afirma que a entrada do seu país na Otan abriu portas para as companhias suecas, principalmente porque “a perspectiva de outros países e empresas [em relação a elas] mudou”.

Sjöberg destaca que ele é a favor de uma “visão holística, de que a segurança é boa para os negócios, pois o aumento da segurança e da estabilidade fornece credibilidade a longo prazo”.

A Otan aumentou suas operações na região do Ártico

Também na Finlândia, a entrada do país na Otan criou novas oportunidades, especialmente para inúmeras empresas de pequeno e médio porte, que o embaixador Siukosaari chama de “spin-offs [derivadas] da Nokia”.

Espera-se que essas empresas forneçam cada vez mais tecnologia de ponta, como drones, sensores e sistemas de vigilância digital, para programas como a “parede de drones”, que irá da Noruega à Polônia. Ela está sendo desenvolvida por seis países-membros da Otan para defender suas fronteiras com a Rússia.

De fato, à medida que se altera a natureza do equipamento bélico, a segurança da Europa pode depender cada vez mais da ciberdefesa e da proteção das instalações civis, como cabos e tubulações submarinas, fundamentais para a operação de sistemas.

Mas a ideia mais revolucionária decorrente da expansão da Otan na região nórdica talvez seja o conceito de “Defesa Total” da região.

Aplicado na Noruega e na Dinamarca, este conceito considera a infraestrutura nacional, como a internet, telefonia, geração e distribuição de energia, redes de estradas e o abastecimento seguro de alimentos e remédios, como parte de um sistema de defesa total.

Grande parte dessa estrutura pode não estar registrada como gastos de defesa nas estatísticas, mas nenhuma delas vem de graça.

Além dos gastos com infraestrutura civil, o serviço militar nacional, às vezes, retira as pessoas das partes produtivas da economia, como destaca o embaixador Siukosaari. Mas talvez elas ofereçam mais para as nações do que o simples fornecimento de produtos e serviços?

Os membros mais novos da Otan acreditam que poderão ensinar uma ou duas coisas sobre a defesa para os outros países aliados. Eles certamente trazem novos pontos de vista sobre como avaliar os gastos com a defesa.

E, talvez, também sobre como a sociedade civil e as empresas privadas podem participar da questão.

Trump congela de novo parte das tarifas contra México e Canadá: o que está em jogo na guerra comercial

O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (6/3) que os EUA suspenderão temporariamente a maioria das tarifas que haviam imposto ao México e ao Canadá dois dias antes.

Com a decisão, ficam sem efeito no momento a maioria das novas taxas de 25% aplicadas sobre produtos mexicanos e canadenses.

O congelamento, que expira em 2 de abril, foi anunciado pelo presidente americano em sua plataforma Truth Social após uma conversa dele com a mandatária mexicana, Claudia Sheinbaum.

“Após conversar com a presidente Claudia Sheinbaum do México, concordei que o México não será obrigado a pagar tarifas sobre qualquer item abarcado pelo tratado USMCA”, escreveu Trump na rede social Truth. Depois, a Casa Branca adicionou que o Canadá também seria beneficiado pelo acordo.

O tratado USMCA – acrônimo com as iniciais em inglês de Estados Unidos, México e Canadá – é uma atualização do Nafta (acordo de livre comércio da América do Norte), que vigorou entre 1994 e 2018.

Nesta quarta-feira (5/3), Trump já havia recuado parcialmente e oferecido isenção, por um mês, para empresas automotivas que importem ou exportem do Canadá e do México. O recuo é uma resposta ao pedido feito diretamente ao presidente por três montadoras: General Motors, Stelantis e Ford.

Apesar dos recuos e ajustes, Trump segue fazendo da defesa das novas tarifas sobre produtos importados uma das bandeiras de seu governo. O tópico foi tema de seu discurso ao Congresso americano na noite de terça-feira (04/03).

Na fala, Trump citou nominalmente o Brasil como possível alvo de novas tarifas ao dizer que o país “sempre usou tarifas contra os EUA”.

Os primeiros alvos brasileiros serão o etanol, taxado em 18% a partir do dia 2 de abril, e o aço e o alumínio, com tarifas de 25% a partir de 12 de março. Nesta quinta-feira, ele repetiu que não haverá exceção para tributos contra aço e alumínio.

É o que Trump chama de tarifas recíprocas, ou seja, os EUA cobrarão a mesma taxa das que são alvo em todos os produtos a partir do mês que vem.

Além de Canadá e México, o governo Trump já subiu para 20% as tarifas contra a China – o governos chinês e canadense responderam subindo seus impostos sobre importações sobre muitos produtos dos EUA.

Trump tem dito ter como alvo o Canadá e o México porque ambos os países estão permitindo a entrada de um grande número de imigrantes ilegais nos EUA.

Também afirmou que as duas nações e a China permitem que grandes quantidades de fentanil produzido ilegalmente sejam enviadas para os EUA.

Economistas alertam que essas tarifas podem prejudicar empresas e consumidores nos EUA e no resto do mundo.

Durante o discurso no Congresso, Trump admitiu que tarifas sobre bens de Canadá, México e China podem provocar “perturbações” e que os produtores agrícolas americanos podem sentir “um período de indigestão”.

Mas nada sugere que ele esteja repensando a política de guerra comercial que vem abalando os mercados financeiros nos últimos dias. Na verdade, a maior teste da política começará em abril, quando ele prometeu impor mais tarifas recíprocas sobre todos os parceiros comerciais dos EUA.

O que são tarifas?

Tarifas são impostos sobre bens importados.

A taxa representa uma proporção do preço de um determinado item e é cobrada da empresa que o importa, em vez do exportador.

Então, se uma empresa está importando carros por, por exemplo, a R$ 50 mil cada e há uma tarifa de 25%, ela pagará uma taxa de R$ 12.500 em cada carro.

Se os importadores dos EUA repassassem o custo das tarifas aumentando os preços de varejo, os consumidores dos EUA arcariam com o fardo econômico.

Por que Trump é a favor de tarifas?

Donald Trump disse muitas vezes que as tarifas protegem e criam empregos nos EUA. Ele as vê como uma forma de fazer a economia dos EUA crescer e aumentar as receitas fiscais.

“Sob meu plano, os trabalhadores americanos não ficarão mais preocupados em perder seus empregos para nações estrangeiras”, disse ele. “Em vez disso, as nações estrangeiras ficarão preocupadas em perder seus empregos para a América.”

Trump também disse que as tarifas sobre o aço são importantes para a segurança nacional dos EUA porque incentivam os produtores de aço nacionais a aumentar sua capacidade de produção. Ele quer que os EUA sejam capazes de produzir o suficiente para produzir armas em tempos de guerra sem depender de importações.

Ele chamou as tarifas de “a sustentação da nossa base industrial de Defesa”.

Trump também defende as tarifas como uma forma de suprimir as vendas de produtos importados e promover as vendas de produtos nacionais. Esse foi seu motivo para impor tarifas no passado à UE, por exemplo.

“Eles não pegam nossos carros, não pegam nossos produtos agrícolas, não pegam quase nada e nós pegamos tudo deles”, disse Trump. “Milhões de carros, quantidades tremendas de alimentos e produtos agrícolas.”

Ele sugeriu que outras tarifas poderiam se concentrar em produtos farmacêuticos e chips de computador, dizendo: “É hora de nossas grandes indústrias voltarem para a América… esta é a primeira de muitas”, acrescentou.

Quais tarifas Trump impôs em seu primeiro mandato como presidente?

Donald Trump impôs tarifas sobre aço importado para proteger produtores dos EUA

Em 2018, Trump impôs tarifas de até 50% sobre máquinas de lavar e painéis solares importados. O governo dos EUA disse que os fabricantes americanos em ambos os setores estavam enfrentando concorrência desleal do exterior.

No mesmo ano, ele também colocou tarifas de 25% sobre aço importado e 10% sobre alumínio importado, incluindo para o México e Canadá, que eram parceiros dos EUA no Acordo de Livre Comércio da América do Norte, ou Nafta.

Mais tarde, ele retirou as tarifas quando as nações assinaram o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que substituiu o Nafta em 2020 — um acordo comercial mais favorável aos EUA.

As tarifas sobre a União Europeia prejudicaram particularmente a Alemanha e a Holanda, porque os dois países exportam muito aço para os EUA. A UE como um grupo retaliou com tarifas sobre exportações dos EUA, como jeans, uísque bourbon e motocicletas.

Trump também colocou tarifas sobre mais de US$ 360 bilhões em produtos chineses, variando de carne a instrumentos musicais. A China retaliou impondo tarifas sobre mais de US$ 110 bilhões em produtos dos EUA.

Sob o presidente Joe Biden, as tarifas sobre a China foram mantidas em sua maioria e novas foram impostas a produtos como veículos elétricos.

Qual foi o impacto das tarifas do primeiro mandato de Trump em outros países?

As tarifas de Trump diminuíram a quantidade que os EUA importavam de alguns países, mas aumentaram a quantidade que importam de outros.

Antes de 2018, os produtos chineses representavam 22% do total das importações dos EUA. Em 2024, eles representavam apenas 13,5%, de acordo com o Departamento do Censo dos Estados Unidos.

O México ultrapassou a China para se tornar o exportador número um para os EUA até 2023. Agora, exporta US$ 476 bilhões em produtos para os EUA, em comparação com US$ 427 bilhões em produtos exportados da China.

Isso ocorre em parte porque muitas empresas — especialmente fabricantes de automóveis — mudaram a produção para o México para aproveitar seu acordo de livre comércio com os EUA e os baixos custos de produção lá.

Agora, o governo Trump afirmou, após recuar por um mês nas tarifas para o setor, que as montadoras foram alertadas de que, se não querem pagar tarifas, devem mudar sua produção inteiramente para os EUA quanto antes.

O México se tornou um centro mundial de produção de automóveis, graças ao seu acordo de livre comércio com os EUA

Os países do leste da Ásia também viram um aumento nas exportações para os EUA, graças às tarifas altas de Trump sobre a China.

Isso ocorreu em parte porque seus produtos se tornaram mais baratos do que os produtos chineses para os consumidores dos EUA e em parte porque muitas empresas chinesas se mudaram para esses países para evitar as tarifas dos EUA.

De acordo com dados do Representante Comercial dos EUA, os países pertencentes ao bloco comercial da ASEAN — como Indonésia, Filipinas, Tailândia e Vietnã — exportaram US$ 158 bilhões em produtos para os EUA em 2016, mas exportaram quase US$ 336 bilhões em produtos para os EUA em 2022.

Os países do leste da Ásia também viram um aumento nas exportações para os EUA

“O país mais atingido pelas tarifas de 2018 foi a China”, diz Nicolo Tamberi, economista da Universidade de Sussex, no Reino Unido.

“Acho que o Vietnã foi provavelmente um dos maiores vencedores dessa rodada de tarifas”, disse ele.

Para os EUA, as tarifas impulsionaram a produção de aço e alumínio, de acordo com o Peterson Institute for International Economics, mas também aumentaram os preços dos metais. Segundo os dados do centro de pesquisas, isso resultou na perda de milhares de empregos em outras indústrias de manufatura.

O Peterson Institute afirma ainda que as medidas tarifárias de Trump aumentaram os preços em todos os setores, deixando os consumidores dos EUA em pior situação.

Quais tarifas os EUA impuseram e quais tarifas podem impor?

Trump disse que quer tarifas sobre o México e o Canadá para fazê-los conter o fluxo de migrantes ilegais para os EUA, e a droga fentanil

O plano dos EUA é impor tarifas de 25% sobre produtos do Canadá e do México. As importações do setor de energia do Canadá, como petróleo, receberam uma tarifa de 10%.

Todas essas tarifas deveriam entrar em vigor inicialmente em 4 de fevereiro, mas foram adiadas duas vezes. Agora, os produtos que fazem parte do acordo de livre comércio entre os países devem ficar isentos até o começo de abril.

Antes, o governo Trump já havia adiado por mais um mês as tarifas específicas para o setor automotivo do México e Canadá.

Os EUA impuseram uma tarifa de 10% sobre as importações chinesas, além de uma tarifa de 10% já em vigor desde o início de fevereiro.

Trump disse que imporia as tarifas em resposta ao que ele alega ser o fluxo inaceitável de ingredientes para fazer a droga ilegal fentanil e imigrantes ilegais para os EUA.

O Canadá retaliou declarando tarifas de 25% sobre US$ 150 bilhões em produtos dos EUA. O México diz que anunciará suas contramedidas mais tarde e escolheu negociar com Trump.

A China declarou tarifas de 10% a 15% sobre as importações de alimentos dos EUA, como trigo, milho, carne bovina e soja.

Anteriormente, Trump impôs impostos sobre importações de carvão, petróleo, gás, máquinas agrícolas e carros de grande porte dos EUA, e proibiu exportações para os EUA de muitos elementos de terras raras necessários para a fabricação de equipamentos eletrônicos e militares.

Em 12 de março, os EUA devem começar a impor uma tarifa de 25% sobre importações de aço e alumínio de qualquer lugar do mundo.

Isso afetará os principais países produtores de aço, como Brasil, Canadá, China, Alemanha, México, Holanda, Coreia do Sul e Vietnã, e grandes produtores de alumínio, como Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Trump negou sugestões de que as tarifas aumentarão o preço do aço nos EUA. “No final das contas, será mais barato”, disse ele.

Ele disse que os EUA imporão tarifas sobre produtos agrícolas estrangeiros e importações de carros estrangeiros em 2 de abril “na vizinhança de 25%”,

Como as tarifas recentes podem prejudicar o Canadá e o México?

Tarifas sobre as exportações para os EUA podem aumentar o desemprego no México

De acordo com o professor Stephen Millard, do think tank britânico National Institute of Economic and Social Research, o Canadá e o México sofreriam muito com tarifas gerais.

Ambos os países são altamente dependentes dos EUA. O México envia 83% de todos os seus produtos para os EUA e o Canadá envia 76% de todas as suas exportações.

“O Canadá vende grandes quantidades de petróleo e maquinário para os EUA”, disse Millard, “e uma tarifa de 25% poderia encolher seu PIB em 7,5% ao longo de cinco anos.”

“As tarifas poderiam cortar o PIB do México em 12,5% ao longo de um período de cinco anos. Isso seria um grande golpe.”

Lila Abed do Instituto do México no think tank americano Wilson Centre diz que as tarifas dos EUA seriam “devastadoras” para os trabalhadores mexicanos.

“Aproximadamente cinco milhões de empregos nos EUA dependem do comércio EUA-México… e um estudo recente sugere que cerca de 14,6 milhões de empregos no México dependem do comércio com seus parceiros norte-americanos”, disse ela.

Os índices das bolsas de valores nos EUA e no resto do mundo caíram com a notícia de que as novas tarifas foram introduzidas, refletindo os temores dos investidores de que elas prejudicariam o comércio global e a economia global.

Andrew Wilson, da Câmara de Comércio Internacional, disse: “O que estamos vendo é o maior aumento efetivo nas tarifas dos EUA desde a década de 1940 — com graves riscos econômicos associados a isso.”

Ella Hoxha da empresa financeira Newton Investment Management, sediada no Reino Unido, alertou sobre “aumentos nos preços, pois as empresas repassam alguns desses preços ao consumidor.”

Como o Brasil pode ser afetado?

Aço brasileiro deve ser um dos mais afetados por medidas anunciadas por Trump

O Brasil será um dos países mais atingidos pelas tarifas sobre as importações de aço e alumínio anunciadas por Trump — que começam a valer em 12 de março.

Os EUA são, de longe, o maior mercado para produtos siderúrgicos do Brasil. O Brasil exporta para os EUA 12 vezes mais do que para a Europa e 6 vezes mais do que para a América Latina.

Já em relação ao alumínio, outro produto alvo de tarifas anunciadas por Trump, o Brasil é o 14º maior fornecedor para os EUA, segundo dados do departamento de Comércio dos EUA.

O próprio Brasil também pratica protecionismo no setor do aço. Em outubro, após mais de um ano de análise, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) elevou para 25% o imposto de importação para 11 tipos de produtos de ferro e de aço. Antes disso, esses produtos pagavam de 10,8% a 14% para entrarem no país.

O pedido foi feito pelo Sindicato Nacional da Indústria de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos (Sicetel) que acusava “concorrência desleal dos produtos importados”.

EUA aceitam manter negociação com Brasil sobre imposição de taxas de importação

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, conversou com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, e o representante comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer, por videoconferência. O tema principal do encontro desta quinta-feira (6/3) foi o comércio bilateral e as políticas tarifárias conduzidas pelo presidente Donald Trump.

Alckmin disse que a conversa foi positiva e destacou que acredita que será possível chegar a um bom entendimento a respeito da política tarifária, por meio do diálogo, além de outras questões que envolvam a política comercial entre os dois países. O vice-presidente lembrou que os Estados Unidos mantêm um superavit comercial de US$ 200 milhões na balança comercial com o Brasil, que atualmente é de cerca de US$ 80 bilhões.

Também disse que em oito dos dez produtos que o Brasil mais exporta para os Estados Unidos, a tarifa total é zero. Além disso, a taxa média ponderada efetivamente recolhida é de 2,73%, bem abaixo do que sugerem as tarifas nominais, ressaltou o ministro, que acrescentou que o Brasil responde atualmente pelo 7º maior superávit comercial de bens dos Estados Unidos.

O vice-presidente da República ressaltou ainda que o governo brasileiro busca fortalecer a complementariedade econômica entre os países, além de aumentar a reciprocidade, fortalecer as empresas e contribuir para boas práticas comerciais entre ambos os países. Pelo lado dos norte-americanos, eles concordaram em manter as reuniões bilaterais nos próximos dias.

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Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 04/03/2025

O céu desta terça-feira trará influências que mexerão com as emoções e poderão gerar tanto conflitos quanto grandes aprendizados. Será um dia ideal para refletir antes de tomar decisões importantes. Com a movimentação planetária, mudanças inesperadas poderão impactar a rotina. Veja o que os astros reservam para o seu signo e descubra como conduzir melhor as energias!

Áries

A terça-feira dos arianos será focada no setor financeiro (Imagem: Tatyana Gubina | Shutterstock)

Seu foco recairá na vida financeira e em como lida com o dinheiro. Será dia de valorizar o que já conquistou e de organizar os próximos passos em direção à estabilidade que busca. No entanto, as oscilações emocionais poderão levá-lo(a) a gastos desnecessários. Esteja atento(a).

Touro

O dia será favorável para os taurinos cuidarem da autoestima e dos projetos pessoais (Imagem: Tatyana Gubina | Shutterstock)

Você estará com energia e confiança para cuidar da autoestima, do bem-estar e da aparência. Será dia de dar andamento aos projetos pessoais. Perceberá com mais clareza também a importância do apoio das pessoas que ama, ao mesmo tempo em que a vontade de fazer tudo a seu modo se mostrará bem presente.

Gêmeos

Os geminianos deverão cuidar do bem-estar espiritual e acolher as emoções (Imagem: Tatyana Gubina | Shutterstock)

Nesta terça-feira, você seguirá em um movimento introspectivo. Estará suscetível a ser afetado(a) por energias externas e a se sentir mais confuso(a). Busque cuidar do seu bem-estar espiritual, dedicando-se às suas práticas, e acolha as emoções para conseguir ter clareza. Procure, também, se engajar em obras de caridade.

Câncer

Os cancerianos dedicarão bastante atenção aos amigos (Imagem: Tatyana Gubina | Shutterstock)

Você seguirá envolvido(a) com os assuntos dos amigos e haverá a tendência a procurar o apoio deles, da mesma forma que buscarão mais o seu. Considere nutrir os próprios ideais e propósitos e se conectar com o que está alinhado com o que deseja para o futuro.

Leão

Os leoninos terão a chance de seguir os seus propósitos no campo profissional (Imagem: Tatyana Gubina | Shutterstock)

Você estará mais envolvido(a) com o campo profissional. Será um dia movimentado e sujeito a mudanças e imprevistos que poderão deixá-lo(a) tenso(a), mas também o(a) ajudarão a ir em busca dos propósitos. Contudo, atente-se à tendência a agir de maneira precipitada, pois poderá se prejudicar e gerar rompimentos desnecessários.

Virgem

Nesta terça-feira, os virginianos terão mais ânimo para sair da rotina e buscar novas aventuras (Imagem: Tatyana Gubina | Shutterstock)

Nesta terça-feira, você se sentirá mais animado(a) para sair da rotina e ir em busca de novas aventuras que tragam a sensação de crescimento. No entanto, será possível que se depare com imprevistos que poderão deixá-lo(a) tenso(a) e mudar o rumo dos seus planos. Evite agir por impulso e tenha cautela com os exageros.

Libra

Os librianos deverão acolher as emoções nesta terça-feira (Imagem: Tatyana Gubina | Shutterstock)

Você irá se deparar com situações que aflorarão medos e desconfortos e será possível que aja de maneira intensa e precipitada. Procure acolher as emoções e os incômodos para ter mais clareza e dedique-se a se libertar de padrões de comportamento nocivos que estão gerando sofrimento.

Escorpião

Os escorpianos se dedicarão mais ao setor afetivo (Imagem: Tatyana Gubina | Shutterstock)

Você dedicará atenção aos seus relacionamentos, em busca de encontrar mais equilíbrio. Apesar disso, será possível que se depare com mudanças repentinas que poderão gerar tensão e até mesmo um rompimento precipitado. Acolha suas emoções e controle os impulsos para evitar conflitos.

Sagitário

A terça-feira dos sagitarianos será bem movimentada (Imagem: Tatyana Gubina | Shutterstock)

Nesta terça-feira, você dedicará mais atenção aos afazeres da rotina. Será um dia bastante movimentado e sujeito a imprevistos que poderão afetar sua saúde e produtividade. Procure estar aberto(a) ao novo e evite agir de maneira rebelde, se deixando levar pelos impulsos do momento.

Capricórnio

O dia será favorável para os capricornianos nutrirem o amor-próprio e se dedicarem ao que traz alegria (Imagem: Tatyana Gubina | Shutterstock)

Será um dia importante para nutrir o amor-próprio e se dedicar ao que traz alegria e o(a) conecta com sua essência. Apesar disso, surgirão imprevistos e mudanças repentinas que poderão afetar seu ego e levá-lo(a) a agir com rebeldia. Esteja atento(a) também aos impulsos em se envolver demais com algo passageiro.

Aquário

A terça-feira dos aquarianos será voltada para os assuntos da casa e da família (Imagem: Tatyana Gubina | Shutterstock)

Você dedicará atenção aos assuntos da casa e dos familiares. Será um dia movimentado e sujeito a imprevistos que poderão deixar o clima bastante tenso. Procure acolher suas emoções e respeitar a individualidade das pessoas para evitar conflitos desnecessários capazes de levar a rompimentos.

Peixes

O movimento no setor social será o foco dos piscianos (Imagem: Tatyana Gubina | Shutterstock)

Nesta terça-feira, você seguirá em busca de movimento na vida social. Será um dia movimentado e sujeito a mudanças repentinas. Caso haja alguma viagem planejada, procure ter cautela para evitar intercorrências. A mente estará agitada também e poderá levá-lo(a) a se comprometer com mais do que consegue realizar. Atente-se a isso.

Juros altos acendem a luz amarela para o crédito, dizem especialistas

Em instituições bancárias e financeiras, conseguir um empréstimo ficou ainda mais difícil neste ano, devido ao alto nível dos juros aplicados para a concessão de crédito. A política monetária mais restritiva implementada pelo Banco Central desde o final do ano passado, somada à grande quantidade de inadimplentes no Brasil, faz com que os bancos fiquem ainda mais receosos em oferecer crédito à população.

Diante disso, é necessário avaliar a real necessidade e as melhores opções antes de tomar um empréstimo, na opinião de especialistas. Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) para 13,25% ao ano (a.a.), seguindo a tendência apontada, pelo próprio grupo, de promover altas mais fortes da Selic no início do ano. Em comunicado publicado na última reunião de 2024, o Copom justificou a elevação de um ponto percentual da taxa às incertezas externas e aos ruídos provocados pelo pacote fiscal do governo federal, apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em novembro, e aprovado pelo Congresso Nacional no mês seguinte.

Além de apontar as principais causas para o aumento da Selic, o comitê adiantou que haveria mais duas elevações de 1 ponto percentual nas primeiras duas reuniões de 2025. Uma já foi, e agora se espera que o BC mantenha a previsão para o encontro dos próximos dias 18 e 19 de março. De acordo com o último Boletim Focus, publicado no dia 24 de fevereiro, o mercado previa uma Selic de 15% ao final deste ano.

Além disso, as análises levantadas pelo Banco Central, responsável pela publicação do relatório, apontam que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o ano acumulada em 5% nos 12 meses de 2025. Se a previsão se tornar realidade, o Brasil atingirá uma taxa de juros real — que desconta a inflação — de dois dígitos, em 10%, ao final de dezembro, consolidando-se na primeira colocação entre as nações com a maior taxa real do mundo.

A alta de juros e a inflação têm um impacto significativo na tomada de crédito, afetando tanto consumidores quanto empresas, ressalta o CEO do Mêntore Bank, Vanderson Aquino. “Com a alta dos juros, as taxas de empréstimos e financiamentos aumentam. Isso torna o crédito mais caro, o que pode desestimular as pessoas a tomarem empréstimos ou financiamentos”, explica. Já no caso das empresas, o executivo destaca que há uma valorização no custo de capital também, o que pode levar a uma redução nos investimentos e expansão. “Consequentemente, a diminuição na demanda por crédito faz com que taxas de juros subam e a capacidade de pagamento das pessoas e empresas diminua, o que pode reduzir a demanda na procura por crédito.

Além disso, com a inflação, os consumidores podem priorizar o consumo de bens essenciais, deixando de lado compras financiadas”, acrescenta Aquino. O aumento da inflação e dos juros também deve resultar em um perfil de crédito mais rigoroso por parte das instituições financeiras. Diante disso, pessoas com renda instável ou empresas em setores mais vulneráveis podem ter mais dificuldade em obter empréstimos. “Resumindo, tanto a alta de juros quanto a inflação tornam o crédito mais caro e difícil de acessar, o que afeta negativamente o consumo e os investimentos, podendo desacelerar a economia”, conclui Aquino.

A adoção de critérios mais rigorosos por parte dos bancos faz parte do chamado “Custo Brasil”. O termo é amplo e se refere a ineficiências na legislação e na regulamentação brasileira que dificultam o avanço da atividade econômica. Nesse contexto, o coordenador dos cursos de Economia, Gestão Pública e Gestão Financeira do Iesb, Riezo Almeida, avalia que este cenário intensifica a inadimplência e, consequentemente, os custos para a obtenção de crédito. “Poucos cidadãos, que não possuem educação financeira, deixam de honrar seus empréstimos e prejudicam os bons pagadores, portanto o aumento dos juros não é justificável por parte dos bancos, mas é uma praxe”, avalia.

O coordenador ainda acredita na possibilidade de negociação entre as instituições e a população, por meio de programas de crédito direcionados a setores estratégicos ou políticas públicas que incentivem investimentos. Diante disso, as propostas poderiam ser benéficas às empresas, que são um dos segmentos mais afetados com a queda da atividade econômica.

Almeida lembra que o cenário de juros altos pode resultar em aumento nos custos de financiamento e redução na demanda por produtos e serviços, devido ao menor poder de compra dos consumidores. “Investir na economia criativa, ou seja, ofertar alternativas de empréstimos com juros menores em um prazo menor, por exemplo, beneficiaria a todos”, considera. Por outro lado, o advogado e doutor em Economia Humberto Veiga, acredita que há possibilidades para os empresários que buscam formas de financiamento sem correr sérios riscos de inadimplência.

“Haverá dificuldades. Mas são dificuldades pelas quais as pessoas já passaram e elas sabem navegar. Então, eu creio em um futuro melhor. Eu creio que a economia brasileira está em processo de melhora, ela não está em processo de piora”, avalia. Veiga ressalta que o país já conviveu com cenário de taxas reais de juros muito elevadas, como nos anos 1980 e 1990, quando a taxa Selic chegou a ficar acima de 50%, durante o governo do ex -presidente Fernando Henrique Cardoso. “Acho que se a gente olhar o que o Brasil já passou, nós viemos de taxa de inflação de 80% ao mês para uma taxa de inflação que o pessoal está fazendo um escândalo e nós estamos em 5% ao ano”, pontua.

Diante disso, o advogado considera que aproveitar as oportunidades, quando surgirem, é um passo importante para evitar o pessimismo e levar à frente o próprio negócio. “O empresário é um guerreiro. Ele está procurando sobreviver em uma selva diária. Então todo dia aparecem desafios, aparece a concorrência, tem uma série de coisas, mas também, é outro que, se sobrevive, é um vencedor””, conclui Veiga.

Para o consumidor que planeja obter créditos para fins mais específicos, o consultor econômico da Leroy Group, Felipe Diniz Leroy, reconhece que, com uma Selic elevada, os bancos provavelmente irão continuar ajustando suas taxas de juros internas, especialmente no crédito pessoal e em financiamentos voltados a pessoas jurídicas.

Consequentemente, isso resulta em juros mais altos em cartões de crédito, empréstimos pessoais e financiamentos, tornando o crédito menos acessível. Para quem não quer deixar de contratar empréstimos para mais tarde, priorizar formas de crédito mais baratas, como crédito consignado, é opção para quem tem um vínculo formal de trabalho — avalia o consultor — por ser uma das opções mais acessíveis, com parcelas descontadas diretamente da folha de pagamento, resultando em taxas de juros menores.

“Outra forma é o financiamento com taxas controladas, como os oferecidos por cooperativas de crédito ou algumas fintechs, que podem ter taxas de juros mais baixas que os bancos tradicionais”, acrescenta. Leroy elenca, ainda, três dicas para evitar os juros abusivos: ter planejamento financeiro, evitar o cartão de crédito, quando possível, e negociar dívidas existentes. “Caso já haja algum tipo de débito, vale a pena tentar uma renegociação com os credores. Muitas vezes, bancos e instituições financeiras oferecem condições melhores, especialmente em tempos de crise, se o cliente estiver disposto a buscar alternativas”, explica o consultor.

Os segredos dos últimos 10 vencedores do Oscar de Melhor Filme

Com a chegada do Oscar 2025, a expectativa em torno dos indicados ao prêmio de Melhor Filme é intensa, especialmente com a presença do brasileiro Ainda Estou Aqui. Antes da cerimônia, é interessante revisitar os filmes que conquistaram o cobiçado prêmio nos últimos dez anos, cada um deles trazendo narrativas únicas e impactantes.

Esses filmes não apenas conquistaram a crítica e o público, mas também refletiram questões sociais, culturais e históricas relevantes. A seguir, uma análise dos vencedores de Melhor Filme do Oscar na última década, destacando suas histórias e onde podem ser assistidos atualmente.

Quais foram os vencedores do Oscar de Melhor Filme nos últimos anos?

Os vencedores do Oscar de Melhor Filme nos últimos anos variaram em gênero e temática, mas todos compartilharam um impacto significativo na indústria cinematográfica. Abaixo está uma lista dos filmes vencedores de 2015 a 2024:

2024 – Oppenheimer: Dirigido por Christopher Nolan, o filme explora a vida do físico J. Robert Oppenheimer e o desenvolvimento da primeira bomba atômica. Disponível em Max.

2023 – Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo: Uma abordagem multiversal dirigida por Daniel Kwan e Daniel Scheinert, com Michelle Yeoh no papel principal. Disponível em Prime Video e Max.

2022 – No Ritmo do Coração (CODA): Um remake do francês A Família Bélier, focando em uma jovem ouvinte em uma família de surdos. Disponível em Prime Video.

2021 – Nomadland: Dirigido por Chloé Zhao, o filme segue uma mulher que vive na estrada após a crise econômica. Disponível em Disney.

2020 – Parasita: O primeiro filme de língua não inglesa a vencer, dirigido por Bong Joon-ho, aborda a desigualdade social. Disponível em Max e Prime Video.

2019 – Green Book: O Guia: Inspirado em fatos reais, mostra a amizade entre um pianista negro e seu motorista branco nos anos 1960. Disponível em Prime Video.

2018 – A Forma da Água: Uma fantasia de Guillermo del Toro sobre o amor entre uma zeladora muda e uma criatura aquática. Disponível em Disney.

2017 – Moonlight: Sob a Luz do Luar: Acompanha a vida de um jovem negro lidando com identidade e sexualidade. Disponível em Prime Video.

2016 – Spotlight: Segredos Revelados: Baseado na investigação do The Boston Globe sobre abusos na Igreja Católica. Disponível em Max.

2015 – Birdman: Dirigido por Alejandro González Iñárritu, segue um ator em decadência tentando reviver sua carreira. Disponível em Disney.

Como esses filmes refletem questões sociais e culturais?

Cada um desses filmes vencedores trouxe à tona discussões importantes sobre diferentes aspectos da sociedade. Parasita, por exemplo, destacou a desigualdade social de forma inovadora, enquanto Nomadland abordou a vida nômade e a crise econômica. Já Moonlight explorou questões de identidade e sexualidade em um contexto de pobreza e discriminação.

Além disso, Spotlight revelou um escândalo de abusos na Igreja Católica, e Green Book tratou de racismo e amizade em um período de segregação nos Estados Unidos. Esses filmes não apenas entretêm, mas também provocam reflexão e diálogo sobre temas complexos e muitas vezes controversos.

O que esperar do Oscar 2025?

Com o Oscar 2025 se aproximando, a expectativa é alta para ver quais filmes serão reconhecidos por suas contribuições artísticas e narrativas. A presença de Ainda Estou Aqui entre os indicados já gera discussões sobre a diversidade e a representação no cinema. Independentemente do vencedor, o Oscar continua a ser uma plataforma importante para destacar histórias que ressoam com o público global.

Tags: Entretenimentooscar

Horóscopo semanal: previsão dos signos de 03 a 09 de março de 2025

Nesta semana, o Sol em Peixes fará conjunção com Saturno, bom aspecto com Marte e aspecto tenso com Júpiter. Apesar da influência de Peixes, que indica maior sensibilidade e tendência a fantasias, a energia de Saturno poderá nos ajudar a organizar melhor o que está no inconsciente e a ter senso de realidade. No entanto, sentimentos de melancolia estarão presentes.

Mercúrio em Peixes fará conjunção com Netuno e Vênus, indicando tendência à dispersão, confusão, bem como dificuldades para organizar os pensamentos e emoções. Logo, será necessário atentar-se ao excesso de expectativas.

Vênus em Áries fará bom aspecto com Júpiter e conjunção com Mercúrio, o que sugere uma semana favorável para viagens, estudos e organização dos relacionamentos. Marte seguirá no signo de Câncer e fará bom aspecto com o Sol e com Saturno. Isso aponta uma fase propícia para direcionar as ações e ter mais coragem para lidar com as emoções.

Lembre-se que cada pessoa vai sentir essas energias de acordo com a forma como elas interagem com o Mapa Astral de cada um.

Áries

A semana será favorável para os arianos organizarem as emoções, conhecerem novas pessoas e realizarem parcerias (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você seguirá em uma fase mais introspectiva. Portanto, deverá tomar consciência do que habita em seu interior, organizando as emoções confusas e compreendendo os padrões de comportamento. Desse modo, conseguirá finalizá-los. Apesar disso, a melancolia poderá se fazer mais presente, assim como a facilidade de se deixar levar pelo pessimismo e vitimismo. Logo, atente-se a tais questões.

Nas relações, tenderá a ser uma semana movimentada. Haverá a possibilidade de conhecer novas pessoas e realizar parcerias. Contudo, será possível que se engane facilmente. Para evitar mal-entendidos, cuide da sua energia e reduza as expectativas.

Touro

Nesta semana, os taurinos buscarão mais a companhia dos amigos e terão a presença solicitada (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você estará mais envolvido(a) com as relações sociais e buscará com mais frequência a companhia dos amigos e dos grupos dos quais participa. Sua presença será bastante solicitada, tornando esse um bom momento para se dedicar aos seus propósitos.

Será essencial tomar consciência do que deseja para o futuro e do que precisa fazer para viver em sintonia com seus valores. No entanto, poderá enfrentar cobranças e responsabilidades. No campo afetivo, o período será marcado por finalizações, o que poderá gerar frustração.

Gêmeos

A semana será propícia para os geminianos reconhecerem a importância e o ponto de vista alheio (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Será um bom momento para descentralizar a atenção e reconhecer a importância de cada indivíduo no contexto coletivo. Haverá uma maior valorização das ações alheias e das atividades em grupo. Além disso, o desejo de contribuir para o bem comum e a necessidade de apoio estarão em alta. No entanto, poderão surgir obstáculos, cobranças e responsabilidades, gerando sobrecarga, desânimo e pessimismo.

No campo afetivo, haverá uma tendência a compreender melhor o ponto de vista do outro. Ao mesmo tempo, existirá o risco de se deixar levar por ilusões e negligenciar suas próprias necessidades. Portanto, mantenha-se atento(a) a esse aspecto.

Câncer

Os cancerianos poderão viver um bom momento no setor profissional (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Um novo ciclo se iniciará em sua vida, trazendo a oportunidade de iluminar o topo da montanha de suas realizações e contemplar os resultados de seus esforços no campo profissional. Além disso, haverá a chance de receber o reconhecimento de seus superiores.

No entanto, poderão surgir cobranças mais intensas, o que poderá despertar medos e inseguranças, além de demandar muita energia. Diante disso, procure valorizar sua dedicação e não se deixar levar pelo pessimismo. No setor afetivo, buscará mais harmonia nas relações. Todavia, tenha cautela com o excesso de expectativas, pois isso poderá gerar frustrações.

Leão

Os leoninos deverão iluminar alguns aspectos da vida e abrir espaço para o novo (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você tenderá a ter um contato mais profundo com suas sombras. Será um momento propício para iluminar aspectos que normalmente não percebe, tomando consciência de padrões nocivos. Assim, poderá enfrentá-los com mais maturidade e se libertar, de forma responsável, do que causa sofrimento.

Apesar dos desafios, essa fase será essencial para que avance e abra espaço para o novo. Além disso, tenha cautela com a tendência a se deixar levar por autocríticas excessivas e pessimismo, pois isso apenas drenará sua energia. No campo afetivo, será importante sair da rotina e buscar novas experiências, promovendo a expansão da relação.

Virgem

Os virginianos se envolverão bastante com o setor afetivo nesta semana (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você se envolverá mais no campo afetivo, buscando harmonia e reconhecendo a importância de cada um em sua vida. Ademais, tenderá a perceber o que espera de um relacionamento e quais são as necessidades do outro. Apesar disso, poderá se deparar com cobranças e críticas, o que esfriará a relação.

Será o momento de encarar a realidade do amor e atentar-se à carência, pois ela te levará a aceitar menos do que merece. Por fim, haverá a chance de se deparar com situações que aflorarão medos e dores profundas, gerando inseguranças e te levando a agir de maneira radical. Portanto, tome cuidado com tais questões.

Libra

Os librianos deverão respeitar os próprios limites em relação às tarefas do dia a dia (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você se envolverá mais com a rotina e buscará transformar os afazeres em uma fonte de prazer. No entanto, a semana poderá ser marcada por muitas responsabilidades e cobranças, o que poderá gerar desânimo, despertar certo pessimismo e impactar sua saúde. Por isso, procure estabelecer e respeitar seus limites, comprometendo-se apenas com o que realmente consegue realizar.

No campo afetivo, buscará por mais harmonia nas relações, com maior compreensão do ponto de vista do outro. Apenas tome cuidado com o excesso de expectativas, pois isso poderá levar a frustrações.

Escorpião

Os escorpianos viverão os dias de maneira apaixonada e poderão encontrar harmonia nas atividades rotineiras (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Ao longo desta semana, tenderá a viver tudo de maneira apaixonada, sentindo o coração vibrar mais forte e se dedicando ao que lhe traz alegria. Entretanto, poderá se deparar com cobranças, o que o(a) impedirá de realizar tudo como gostaria e drenará a sua energia. Logo, procure encarar o que vier com maturidade, buscando regular as expectativas, mas sem se deixar levar pelo pessimismo. Na rotina, haverá a chance de encontrar mais harmonia e prazer nos afazeres. Será um bom momento para cuidar da sua saúde física e emocional.

Sagitário

Os sagitarianos estarão envolvidos com os assuntos do lar e da família (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você se envolverá mais nos assuntos do lar. Bom momento para organizar as memórias e reconhecer a sua responsabilidade na estrutura familiar, estabelecendo, inclusive, os limites necessários. No entanto, haverá a chance de se deparar com empecilhos, o que deixará o clima familiar tenso.

Será uma boa fase para se valorizar, bem como reconhecer seus potenciais e tudo que lhe torna único(a). Porém, tenha cautela com a tendência a se deixar levar por paixões passageiras. Afinal, isso poderá gerar frustrações.

Capricórnio

Os capricornianos irão se deparar com grandes movimentos no setor social e nos relacionamentos (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Durante a semana, buscará mais movimento no setor social. Qualquer lugar fora de casa chamará a sua atenção. Com isso, o desejo de conhecer novas pessoas e trocar informações tenderá a estar em alta. Todavia, poderá se deparar com empecilhos que atrapalharão os planos, te desanimando.

No campo das relações, uma nova fase se iniciará. Você tentará criar mais intimidade com a pessoa amada, estabelecendo uma conexão segura e confiante. Também será um bom momento para harmonizar os relacionamentos familiares. Apesar disso, haverá a chance de que o excesso de sensibilidade te leve a negligenciar as suas necessidades em prol do outro. Logo, atente-se a tal questão.

Aquário

A semana dos aquarianos será voltada para as finanças e para o campo social (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Nesta semana, você dedicará mais atenção ao setor financeiro. Será um momento importante para tomar consciência de como tem administrado o seu dinheiro, além de organizar os próximos passos rumo à estabilidade.

Contudo, poderá enfrentar obstáculos que atrasarão seus planos, gerando desânimo. Nesse caso, não se deixe levar pelo pessimismo e aproveite a oportunidade para ganhar mais clareza sobre o que realmente deseja. No campo social, o desejo de ampliar contatos, conhecer novas pessoas e diversificar os assuntos estará em evidência.

Peixes

Os piscianos se dedicarão aos projetos pessoais e tenderão a buscar mais estabilidade no relacionamento amoroso (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você dedicará mais atenção aos projetos pessoais e ao que lhe traz realização. Com isso, tenderá a querer fazer tudo ao seu modo. Entretanto, haverá a chance de se deparar com empecilhos, o que atrapalhará os planos e despertará insegurança e pessimismo. Logo, procure direcionar bem a sua energia e não se deixe levar pelo negativismo.

No campo afetivo, uma nova fase se iniciará. A propensão será que busque mais estabilidade no relacionamento. Bom momento para alinhar os valores e planejar os próximos passos com a pessoa amada. Tome cuidado apenas para não exigir que o outro se adapte às suas expectativas.

Horóscopo semanal: previsão dos signos de 03 a 09 de março de 2025

Nesta semana, o Sol em Peixes fará conjunção com Saturno, bom aspecto com Marte e aspecto tenso com Júpiter. Apesar da influência de Peixes, que indica maior sensibilidade e tendência a fantasias, a energia de Saturno poderá nos ajudar a organizar melhor o que está no inconsciente e a ter senso de realidade. No entanto, sentimentos de melancolia estarão presentes.

Mercúrio em Peixes fará conjunção com Netuno e Vênus, indicando tendência à dispersão, confusão, bem como dificuldades para organizar os pensamentos e emoções. Logo, será necessário atentar-se ao excesso de expectativas.

Vênus em Áries fará bom aspecto com Júpiter e conjunção com Mercúrio, o que sugere uma semana favorável para viagens, estudos e organização dos relacionamentos. Marte seguirá no signo de Câncer e fará bom aspecto com o Sol e com Saturno. Isso aponta uma fase propícia para direcionar as ações e ter mais coragem para lidar com as emoções.

Lembre-se que cada pessoa vai sentir essas energias de acordo com a forma como elas interagem com o Mapa Astral de cada um.

Áries

A semana será favorável para os arianos organizarem as emoções, conhecerem novas pessoas e realizarem parcerias (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você seguirá em uma fase mais introspectiva. Portanto, deverá tomar consciência do que habita em seu interior, organizando as emoções confusas e compreendendo os padrões de comportamento. Desse modo, conseguirá finalizá-los. Apesar disso, a melancolia poderá se fazer mais presente, assim como a facilidade de se deixar levar pelo pessimismo e vitimismo. Logo, atente-se a tais questões.

Nas relações, tenderá a ser uma semana movimentada. Haverá a possibilidade de conhecer novas pessoas e realizar parcerias. Contudo, será possível que se engane facilmente. Para evitar mal-entendidos, cuide da sua energia e reduza as expectativas.

Touro

Nesta semana, os taurinos buscarão mais a companhia dos amigos e terão a presença solicitada (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você estará mais envolvido(a) com as relações sociais e buscará com mais frequência a companhia dos amigos e dos grupos dos quais participa. Sua presença será bastante solicitada, tornando esse um bom momento para se dedicar aos seus propósitos.

Será essencial tomar consciência do que deseja para o futuro e do que precisa fazer para viver em sintonia com seus valores. No entanto, poderá enfrentar cobranças e responsabilidades. No campo afetivo, o período será marcado por finalizações, o que poderá gerar frustração.

Gêmeos

A semana será propícia para os geminianos reconhecerem a importância e o ponto de vista alheio (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Será um bom momento para descentralizar a atenção e reconhecer a importância de cada indivíduo no contexto coletivo. Haverá uma maior valorização das ações alheias e das atividades em grupo. Além disso, o desejo de contribuir para o bem comum e a necessidade de apoio estarão em alta. No entanto, poderão surgir obstáculos, cobranças e responsabilidades, gerando sobrecarga, desânimo e pessimismo.

No campo afetivo, haverá uma tendência a compreender melhor o ponto de vista do outro. Ao mesmo tempo, existirá o risco de se deixar levar por ilusões e negligenciar suas próprias necessidades. Portanto, mantenha-se atento(a) a esse aspecto.

Câncer

Os cancerianos poderão viver um bom momento no setor profissional (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Um novo ciclo se iniciará em sua vida, trazendo a oportunidade de iluminar o topo da montanha de suas realizações e contemplar os resultados de seus esforços no campo profissional. Além disso, haverá a chance de receber o reconhecimento de seus superiores.

No entanto, poderão surgir cobranças mais intensas, o que poderá despertar medos e inseguranças, além de demandar muita energia. Diante disso, procure valorizar sua dedicação e não se deixar levar pelo pessimismo. No setor afetivo, buscará mais harmonia nas relações. Todavia, tenha cautela com o excesso de expectativas, pois isso poderá gerar frustrações.

Leão

Os leoninos deverão iluminar alguns aspectos da vida e abrir espaço para o novo (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você tenderá a ter um contato mais profundo com suas sombras. Será um momento propício para iluminar aspectos que normalmente não percebe, tomando consciência de padrões nocivos. Assim, poderá enfrentá-los com mais maturidade e se libertar, de forma responsável, do que causa sofrimento.

Apesar dos desafios, essa fase será essencial para que avance e abra espaço para o novo. Além disso, tenha cautela com a tendência a se deixar levar por autocríticas excessivas e pessimismo, pois isso apenas drenará sua energia. No campo afetivo, será importante sair da rotina e buscar novas experiências, promovendo a expansão da relação.

Virgem

Os virginianos se envolverão bastante com o setor afetivo nesta semana (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você se envolverá mais no campo afetivo, buscando harmonia e reconhecendo a importância de cada um em sua vida. Ademais, tenderá a perceber o que espera de um relacionamento e quais são as necessidades do outro. Apesar disso, poderá se deparar com cobranças e críticas, o que esfriará a relação.

Será o momento de encarar a realidade do amor e atentar-se à carência, pois ela te levará a aceitar menos do que merece. Por fim, haverá a chance de se deparar com situações que aflorarão medos e dores profundas, gerando inseguranças e te levando a agir de maneira radical. Portanto, tome cuidado com tais questões.

Libra

Os librianos deverão respeitar os próprios limites em relação às tarefas do dia a dia (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você se envolverá mais com a rotina e buscará transformar os afazeres em uma fonte de prazer. No entanto, a semana poderá ser marcada por muitas responsabilidades e cobranças, o que poderá gerar desânimo, despertar certo pessimismo e impactar sua saúde. Por isso, procure estabelecer e respeitar seus limites, comprometendo-se apenas com o que realmente consegue realizar.

No campo afetivo, buscará por mais harmonia nas relações, com maior compreensão do ponto de vista do outro. Apenas tome cuidado com o excesso de expectativas, pois isso poderá levar a frustrações.

Escorpião

Os escorpianos viverão os dias de maneira apaixonada e poderão encontrar harmonia nas atividades rotineiras (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Ao longo desta semana, tenderá a viver tudo de maneira apaixonada, sentindo o coração vibrar mais forte e se dedicando ao que lhe traz alegria. Entretanto, poderá se deparar com cobranças, o que o(a) impedirá de realizar tudo como gostaria e drenará a sua energia. Logo, procure encarar o que vier com maturidade, buscando regular as expectativas, mas sem se deixar levar pelo pessimismo. Na rotina, haverá a chance de encontrar mais harmonia e prazer nos afazeres. Será um bom momento para cuidar da sua saúde física e emocional.

Sagitário

Os sagitarianos estarão envolvidos com os assuntos do lar e da família (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você se envolverá mais nos assuntos do lar. Bom momento para organizar as memórias e reconhecer a sua responsabilidade na estrutura familiar, estabelecendo, inclusive, os limites necessários. No entanto, haverá a chance de se deparar com empecilhos, o que deixará o clima familiar tenso.

Será uma boa fase para se valorizar, bem como reconhecer seus potenciais e tudo que lhe torna único(a). Porém, tenha cautela com a tendência a se deixar levar por paixões passageiras. Afinal, isso poderá gerar frustrações.

Capricórnio

Os capricornianos irão se deparar com grandes movimentos no setor social e nos relacionamentos (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Durante a semana, buscará mais movimento no setor social. Qualquer lugar fora de casa chamará a sua atenção. Com isso, o desejo de conhecer novas pessoas e trocar informações tenderá a estar em alta. Todavia, poderá se deparar com empecilhos que atrapalharão os planos, te desanimando.

No campo das relações, uma nova fase se iniciará. Você tentará criar mais intimidade com a pessoa amada, estabelecendo uma conexão segura e confiante. Também será um bom momento para harmonizar os relacionamentos familiares. Apesar disso, haverá a chance de que o excesso de sensibilidade te leve a negligenciar as suas necessidades em prol do outro. Logo, atente-se a tal questão.

Aquário

A semana dos aquarianos será voltada para as finanças e para o campo social (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Nesta semana, você dedicará mais atenção ao setor financeiro. Será um momento importante para tomar consciência de como tem administrado o seu dinheiro, além de organizar os próximos passos rumo à estabilidade.

Contudo, poderá enfrentar obstáculos que atrasarão seus planos, gerando desânimo. Nesse caso, não se deixe levar pelo pessimismo e aproveite a oportunidade para ganhar mais clareza sobre o que realmente deseja. No campo social, o desejo de ampliar contatos, conhecer novas pessoas e diversificar os assuntos estará em evidência.

Peixes

Os piscianos se dedicarão aos projetos pessoais e tenderão a buscar mais estabilidade no relacionamento amoroso (Imagem: kaer_stock | Shutterstock)

Você dedicará mais atenção aos projetos pessoais e ao que lhe traz realização. Com isso, tenderá a querer fazer tudo ao seu modo. Entretanto, haverá a chance de se deparar com empecilhos, o que atrapalhará os planos e despertará insegurança e pessimismo. Logo, procure direcionar bem a sua energia e não se deixe levar pelo negativismo.

No campo afetivo, uma nova fase se iniciará. A propensão será que busque mais estabilidade no relacionamento. Bom momento para alinhar os valores e planejar os próximos passos com a pessoa amada. Tome cuidado apenas para não exigir que o outro se adapte às suas expectativas.

Rio terá grande biblioteca na região portuária, anuncia Eduardo Paes

No ano em que o Rio será a Capital Mundial do livro, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, anuncia o lançamento de um concurso internacional para a construção de uma grande biblioteca pública na região portuária do Rio, que vai ser um pouco biblioteca pública e arquivo geral do município.

– A gente quer criar mais um ícone na região do centro, criar mais um símbolo importante para aquela região.

O prefeito diz que, no próximo ano, vai provocar as escolas de samba que façam enredos sobre a literatura internacional e nacional. Ainda sobre o carnaval, Paes vê com bons olhos que a Sapucaí tenha mais um dia de desfiles e diz que o ideal é que o carnaval seja sustentável do ponto de vista financeiro.

Confira a entrevista:

Miriam: O presidente do seu partido, Gilberto Kassab, critica o governo, disse que o ministro Fernando Haddad é fraco e não faz as coisas andarem e que o presidente Lula vai perder a eleição em 2026. O que o senhor acha da opinião do presidente do seu partido?

Paes: Eu estou naquela fase da vida, que eu estou focado aqui na prefeitura. Então eu tô fugindo de…

Está fugindo da pergunta também.

É, também. Mas (fugindo de) interpretar um pouco essas coisas da política nacional. Porque, enfim, eu acho que estamos muito longe da eleição ainda. Eu tenho acompanhado a queda de popularidade do Lula. Mas eu acho que tem um sentimento de pânico geral. Tem um ano e meio até a eleição, para começar o processo eleitoral. Acho que a população não está ligada ainda em eleição, não está nem conectada que vai ter eleição em 2026. Acho que isso é um pouco do debate da política mesmo.

Não conversei com Kassab sobre o tema, provavelmente ele já tinha tido acesso a alguma pesquisa antes do grande público, para saber que estava havendo uma queda de popularidade por esse ou por aquele motivo. Te confesso que a minha relação com o presidente Lula é de muita objetividade, de muita ajuda ao Rio de Janeiro.

Acho que o presidente Lula é um dos poucos políticos nacionais que tem clareza do papel que o Rio pode cumprir para o Brasil, essa face internacional que o Rio tem. Ele ajuda muito o Rio. A escolha do Rio como a sede do Brics é uma decisão política. Fiz o G20 no Rio de Janeiro, vou fazer o Brics no Rio de Janeiro. Agora eu estou pleiteando a história de capital honorária.

É simbólico, mas é importante para um lugar que foi retirado como capital do Brasil sem nenhum tipo de compensação. E depois há a fusão feita pela ditadura militar, de uma maneira abrupta, sem nenhum tipo de olhar. Não estou querendo que a capital venha de Brasília, mas é uma espécie de reconhecimento simbólico que se dá muito mais nesse gestual.

Não tem nenhum efeito concreto, exceto a imagem?

Concreto não, mas ele tem um valor simbólico e que claro que pode abrir para outras oportunidades. Hoje o Lula é o presidente, amanhã vai ter outro presidente….

Queria voltar num ponto, sua opinião sobre o ministro Haddad. Você vê o ministro sem capacidade de realização?

Posso falar aqui pela minha realidade na cidade do Rio de Janeiro. O desemprego diminuiu, a economia cresceu, a arrecadação da prefeitura aumentou e voltamos a ter acesso a crédito. A prefeitura tem a lei de responsabilidade fiscal, que estabelece 120% de capacidade de endividamento sobre as receitas correntes líquidas. Nós estamos em 40%, é baixíssimo o endividamento do município. E até pouco tempo atrás a gente não conseguia contrair dívida. Agora eu busco financiamento, reformei todos os BRTs, estou fazendo o corredor do Anel Viário ali na Zona Oeste e Campo Grande, ou seja, eu tenho que olhar sobre essa perspectiva do município.

E eu também, vou meter aqui numa seara que não sou especialista, Mas eu vejo muito a fala do mercado, que o dólar subiu muito porque o Lula não fez o ajuste fiscal que o mercado desejava. O ajuste fiscal não veio e o dólar está caindo. Da minha realidade aqui de prefeito, o que eu tenho tido no ministro Haddad, é um grande parceiro.

O índice de desemprego chegou em determinado momento a 15%, 16%, e que baixou agora enormemente, voltamos a uma posição adequada, que o Rio sempre ocupou nas regiões metropolitanas brasileiras, sob a minha perspectiva Estamos avançando, a pobreza diminuiu. Não tenho aqui a capacidade de fazer uma análise no longo prazo. Isso é um voo de galinha ou não é um voo de galinha.

Vamos pensar no carnaval. O carnaval esse ano vai ser três dias de desfile do Grupo Especial. Não é demais? Não vai cansar a cidade?

Eu vou ficar cansado, certamente. Eu acho que a cidade celebra. Primeiro, o carnaval ficou comprovado esse ano, inclusive no caso da Sapucaí, que ele é um ciclo de mais de um mês. Primeiro tem os blocos oficiais que já estão há um mês na rua. Aí tem o tal do carnaval que não é oficial, que todo mundo sabe que tem, que a gente tem que ficar atrás dos blocos que se recusam a informar onde vão desfilar.

Depois os ensaios técnicos esse ano na Sapucaí, que foram um enorme sucesso:120 mil pessoas acompanhando as escolas de graça. Isso é uma super oportunidade. E tem uma modelagem interessante que a Liesa está propondo, que é olhar essa história mesmo do Business Carnaval. É uma manifestação cultural incrível, com tudo aquilo que a gente sabe que as escolas de samba transmitem na Sapucaí, mas isso representa uma atividade econômica importante para a cidade.

Então, três dias é mais turista, é mais tempo do turista gastando, é mais oportunidade de vender ingresso. O meu sonho, e acho que a Liesa começa a caminhar nessa direção, é o seguinte: o ideal é possível que o carnaval seja sustentável, só do ponto de vista financeiro. se tenha mais a necessidade do subsídio público para o carnaval.

Na hora que ganha os direitos de TV, na hora que vende, eles organizaram essa coisa de cervejas nos camarotes. Tudo é mais dinheiro para as escolas, que precisam de melhores condições e vão passar a depender menos dos patronos.

Podemos transformar essa atividade cultural e social tão importante que são as escolas de samba em uma atividade sustentável economicamente. Eu acho que é isso que a Liesa está buscando nesse momento. Eu acho que é uma bela iniciativa. Eu estou preocupado com a minha saúde física (risos).

Como é que você vai acompanhar?

Vou nos dois dias do grupo de acesso e depois são três dias de Especial. Antes eram dois dois dias para descansar, terça e quarta, agora só tem a quarta-feira de cinzas. Mas a gente vai com fé.

Esse ano vai ter muito evento, o que é a Capital Mundial do livro? O que vai significar isso na prática para quem mora aqui?

Primeiro, tem um aspecto cultural importante, temos que ampliar cada vez mais a cultura da leitura. O Rio é uma cidade marcada em todas as suas esquinas por nomes incríveis da literatura brasileira. Você tem aqui a sede da Academia Brasileira de Letras.

Dia 23 de abril, dia de São Jorge, é o dia que o Rio oficialmente vira a capital mundial do livro. Vamos fazer um grande lançamento, a Academia Brasileira de Letras está nos ajudando nisso. Estamos montando uma programação que está quase concluída, e vai ter muita coisa acontecendo pela cidade. Queremos criar bibliotecas nos BRTs. Vai ter uma estante, e pode-se fazer a troca gratuitamente. Muita parceria com a Biblioteca Nacional, com o Arquivo Nacional e com a Academia Brasileira de Letras.

Queremos provocar as escolas de samba do ano que vem. A gente nunca obriga, mas induz. Vamos tratar da literatura mundial, claro, puxando para a literatura brasileira. Então, um pouco esse esforço de trazer essa cultura e, claro, fortalecer na base. Nós temos quase 700 mil crianças nas nossas escolas.?

Temos uma novidade que eu não contei ainda: vamos lançar um concurso internacional para a construção de uma grande biblioteca pública na região portuária do Rio, que vai ser um pouco biblioteca pública e arquivo geral do município. E essa biblioteca é mais um ícone, a gente quer fazer na região do centro, criar mais um ícone, mais um símbolo importante para aquela região.

Durante a campanha falou-se muito de guarda municipal armada, que era a proposta do seu adversário, Alexandre Ramagem. E agora você tem defendido uma força policial armada. Eu queria entender isso. É outra força? É a atual guarda armada? É uma outra força? Como é que você pretende viabilizar isso?

Primeiro, esse tema passou a ser o tema prioritário da população brasileira e, no caso do Rio de Janeiro, muito mais.

Aliás, hoje a pesquisa da Quaest já aponta o Rio de Janeiro como 71% achando que a segurança é o grande problema do país.

Você tem vantagens de ser prefeito tetra, o que me dá muito orgulho. Na minha primeira eleição, o grande tema era a saúde. Na minha segunda eleição, o grande tema era saúde de novo. Na minha terceira eleição, o grande tema era transporte.

Já na eleição do ano passado, o grande tema era segurança. E os municípios sempre tiveram um papel muito tímido no campo da segurança pública. Então você tem uma série de fatores, e o principal, certamente, é a decisão do Supremo Tribunal Federal, que foi consolidada recentemente, mas que ela já vinha sendo a vitória da possibilidade de municípios fazerem o patrulhamento ostensivo, preventivo, comunitário nas ruas da cidade.

E no caso do Rio, óbvio que vai ter que haver uma integração com as forças policiais do Estado, mas a falência da política de segurança pública do Estado faz com que esse tema seja mais premente ainda. Eu estou assumindo a presidência da Frente Nacional de Prefeitos por um motivo só. É claro que você tem que defender o municipalismo, o papel que as prefeituras têm a cumprir no Brasil, mas o tema da segurança é cada vez mais cobrado dos governos locais.

O modelo que a gente está tentando implementar aqui no Rio, eu vou dar um exemplo aqui. Ele não vai resolver o problema do Complexo de Israel, este tipo de combate, às organizações criminosas, milícias, narcotraficantes.

Vou dar um exemplo. Ontem viralizou na internet, um assalto, uma senhora de bicicleta no parque do Flamengo foi cercada com os bandidos tentando roubar a bicicleta dela. Esse é o típico caso que a Força Municipal pode ajudar.

Não vai enfrentar o problema da milícia, da ocupação territorial, das barreiras que fazem isso. Vai continuar sendo o papel da polícia militar, da polícia civil, que é a polícia investigativa, a polícia judiciária, que cumpre esse papel. Essa integração vai ser muito importante e imaginamos também poder liberar as forças policiais tradicionais, Polícia Militar, Polícia Civil, para o seu papel mais de combate ao crime organizado.

Mas você está falando da Guarda Municipal ou você está falando de uma outra força armada?

Na lei orgânica do município do Rio, está determinado que o município poderá criar guardas municipais a diferentes tempos. Nós temos uma guarda municipal que não foi treinada, não tem a cultura, seus concursos públicos não foram com a cultura dos armas. Não estou a fim de criar mais uma força que seja suscetível a virar milícia no Rio de Janeiro.

Por exemplo, criamos essa força municipal, permitirmos o ingresso de guardas municipais, vai ter um processo seletivo, ele chegando nessa força municipal, mantendo ele como servidor estatutário, ele vai ter um treinamento como se ele estivesse entrando nessa força municipal, como se fosse uma coisa nova pra ele. E ali ele vai ter condições diferentes.

São novos contratados para a mesma guarda.

Na verdade, a gente quer fazer uma espécie de concurso público com algumas premissas. Por exemplo, entendemos que tem muita gente que sai deste modelo de militarismo temporário, como CPOR, do exército, mas tem Marinha, aeronáutica. Tem um treinamento, em geral, passaram lá oito anos e que tem todas as condições, claro, com devido processo seletivo, de ser contratado pelo município.

Queremos criar um modelo de policiamento ostensivo, de policiamento comunitário, de policiamento preventivo, que parta da premissa de respeito aos direitos do cidadão, mas também que possa agir com a energia necessária para o combate a essa bandidagem que toma conta das ruas das cidades brasileiras.

Porque é sempre uma confusão. Ficamos sempre naquele negócio, ou é a sociologia excessiva, ou passar a mão na cabeça do delinquente, ou então eu tiro na cabecinha, como se o Estado fosse um assassino. O Estado não pode se comparar a um bandido, por isso o Estado tem o monopólio da força. O Estado pode até, se ameaçado, pode até vir a matar. Mas o papel principal do Estado é deter esse criminoso, prender e levar a julgamento.

O que a gente quer é uma guarda, que seja uma polícia, uma força municipal que seja firme e que possa proteger o cidadão. Agora, tem um desafio. Sabemos que os municípios têm aí atribuição na educação, na saúde, a pressão sobre os municípios é muito grande. Quando vem essa pressão da segurança pública, significa um custo. Vou dar um exemplo concreto. Até o meu mandato passado, eu não subsidiava passagem de ônibus no Rio de Janeiro. Eu criei o subsídio. Hoje, tem lá entubado no orçamento da prefeitura R$ 1,5 bi esse ano para pagar subsídio de ônibus. Na hora que você cria uma força municipal e começa a endereçar o problema da segurança pública, você está colocando mais um custo para os municípios.

Acontece com São Paulo, lá com o Ricardo (Nunes), acontece com João Campos do Recife, acontece com o Jota ali em Maceió. Precisamos discutir isso a nível nacional, porque os municípios cada vez mais estão sendo demandados para prestar serviços que seriam de outros níveis da federação pela proximidade dos prefeitos. E os recursos não são iguais para isso. Esse é o esforço que a gente vai fazer.

No Rio de Janeiro, já há algum tempo, a gente não tem clareza do que é uma política de segurança pública. Nós temos, hoje, nesse momento, três secretarias cuidando do tema. Uma decisão do Supremo, que eu já manifestei contrária, a ADPF…

Mas como proteger o alvo de sempre? O meu medo é criar mais uma força policial ou botar mais policiais na rua que vão atirar contra uma pessoa negra, como já acabou de acontecer agora na Penha com o Igor e o Tiago. O Igor é estudante, ele quer ser jornalista e está agora lutando pela vida num hospital. Sendo inocente, foi acusado. Como evitar a propagação desse problema que o Brasil tem, dessa tragédia que o Brasil tem, que é matar jovens negros.

Por isso, talvez esteja aí a explicação da gente não sair: “vamos armar toda a Guarda Municipal, pegar 7.500 homens que não foram treinados, nem fizeram concurso para andar armado, daqui a pouco vamos armar essa turma toda.”

Temos que entender que o Estado precisa agir, precisa ser duro, precisa ser firme no combate à violência, mas que isso tem que ser feito dentro da legalidade. Quando você olha para essa história da ADPF, eu conversei isso com vários ministros.

Você era a favor e ficou contra isso? A decisão do o ministro Edson Fachin

Não, sempre fui contra. Se você olhar a decisão do ministro Fachin, não diz nada demais ali. Manda cumprir a lei. Respeite a lei.

Agora, tem um problema na origem da narrativa. Porque, na minha opinião, não é papel do Supremo, e eu conversei isso com o ministro do Supremo, com todo o respeito, como é que o Supremo vai ficar controlando, dando um manual de procedimentos para polícia? Existem caminhos para esse controle da legalidade, não é papel do Supremo. E o pior dessa ADPF é que ela virou uma desculpa para não se fazer nada no Rio de Janeiro.

A incompetência da política de segurança pública do atual governo, ela é justificada pela ADPF, que é uma mentira. Eu vou dar um exemplo. As pessoas conhecem muito pouco o Rio de Janeiro. Dizem, a comunidade de Brás de Pina. Brás de Pina é um bairro, Parada de Lucas é um bairro. Cordovil é um bairro. Cidade Alta é um bairro. Todos com ruas e serviços públicos. Então não tem desculpa nenhuma, até porque a ADPF supostamente só incide sobre comunidade, para ter um sujeito lá que vira dono do chamado complexo de Israel. Sabe o que falta? Autoridade. Vergonha na cara. E quando falta autoridade, quando falta política clara, é que esses agentes da lei, que não são conduzidos da forma adequada, sem autoridade adequada, acabam cometendo esses absurdos.

Quando eu vejo você falando com esse ânimo todo sobre uma questão que é uma questão principalmente estadual, eu vejo aí um candidato a governador do Rio de Janeiro em 2026. É isso?

Olha só, eu não vou deixar de tratar dos temas da minha cidade Eu disse que eu não vou ser candidato a governador. Eu acho que é uma agonia do cidadão carioca E isso ficou muito claro na eleição de 2024. Covardemente, os meus adversários, que aliás estão governando o estado do Rio de Janeiro e implementando essa política de segurança há seis, sete anos, tentavam imputar a mim os problemas na segurança pública do Rio de Janeiro. Barreiras, barricadas, Complexo de Israel, esses absurdos que estão acontecendo no Rio de Janeiro.

E a gente fez esse debate de maneira muito franca, e óbvio, há a decisão do Supremo a possibilidade do prefeito passar a ter uma postura mais ativa nesse tema e ter os instrumentos para enfrentar.

Agora, de novo, a gente tem que dizer claramente para a população o que é que um prefeito vai poder fazer e o que é que um prefeito não vai poder fazer. Portanto, o Complexo de Israel é, para mim, o menor exemplo, porque ele ficou famoso. Tem tantas áreas da cidade piores.

Outro dia eu fui a Senador Camará, e na Estrada do Taquaral em cada extremidade tem uma cancela com pneus para queimar. Eu nunca vi coisa igual. E olha que eu ando pelas ruas do Rio de Janeiro desde que eu sou subprefeito, fui subprefeito do bairro Jacarepaguá, há exatos 33 anos. Nunca vi isso.Ando em Senador Camará há 30 anos. Nunca vi isso acontecendo. E não é uma comunidade.

A ADPF não incide ali. Portanto, o que eu tenho alertado os ministros do Supremo, é que é um tema errado. Deleguem isso para o controle da legalidade, a justiça do Rio de Janeiro, a polícia federal. Porque é impossível a partir de uma visão de Brasília, sem conhecer essa realidade, estabelecer esses procedimentos e respeitar a lei é a obrigação do Estado. Estamos sendo redundante e, de novo, dando narrativa para a incompetência de uma gestão política de segurança pública que não existe.

Há projetos imobiliários e arquitetônicos que estão incomodando muita gente, porque implicam em derrubada de árvores no Jardim de Alah e também no Alto Gávea. E eu quero que você me explique o seguinte, tem mesmo que derrubar árvores para fazer esse projeto arquitetônico, este projeto imobiliário? Ou não é para fazer projeto imobiliário da Gávea? Como é que você está vendo essas pressões que estão na cidade, estão nas placas, estão nas redes sociais?

Primeiro, toda essa avaliação de quando se autoriza uma derrubada de árvore, toda vez que se faz construir algo novo, em geral, aquele espaço é ocupado por algum tipo de vegetação. Quando a vegetação não é uma vegetação nativa, ela já estranha aquele ambiente, como é o caso do Jardim de Alah, você autoriza e você tem sempre a medida compensatória.

Em média, para cada árvore que você retira, você tem que plantar oito, nove, sei lá, um número mais ou menos assim. Então o projeto do Jardim de Alah é um projeto para melhorar aquele espaço, ele cria a partir de uma sustentabilidade econômica, acho que por isso que a gente conseguiu fazer aquilo ali em PPP, você permite tirar árvores que não são naturais daquela região. Você vai plantar novas árvores e eu tenho certeza que a natureza vai melhorar muito no jardim de Alah.

Nesse caso da Gávea eu não conheço o detalhe, mas volta e meia, outro dia a gente teve um empreendimento na Tijuca, numa área que estava lá verde. É óbvio que se eu moro num lugar, tem um terreno particular que não foi construído ainda, eu não quero que construa nada na frente, mas tem um direito a construir ali e a legislação prevê que você possa fazer isso, desde que você oferte o que a gente chama de medida compensatória.

Você está tirando a árvore, você vai plantar em outros lugares, vai ter uma medida compensatória, às vezes pagamento de algum recurso, de dinheiro, para que possa compensar aquilo. É um pouco dos conflitos da vida urbana. Eu acho que o Jardim de Alah é um desafio muito antigo, muito antigo do Rio de Janeiro. Ele fica ali numa região fantástica da cidade, entre os dois bairros mais valorizados do Rio de Janeiro, com a Lagoa de um lado e a praia do Leblon de Ipanema do outro. A gente nunca conseguiu dar uma utilização àquilo. O projeto fez uma concorrência pública, uma chamada pública. O projeto é um projeto muito suave, de muita qualidade. Não é fazer um shopping ali, as pessoas tentam passar ideia. O shopping já tem ali, o shopping Leblon. Você vai fazer um espaço de utilização daquele equipamento com mais qualidade.

Você acabou de voltar de Davos, parece que é um momento em que as questões ambientais estão em retrocesso, dado o governo americano ou todo o comportamento até de empresas. Lá em Davos, você sentiu que a questão climática e ambiental continua forte?

Não. Eu acho que não. Apesar de eu ter participado de uma mesa com o governador Helder que tratava da questão da COP em Belém. Eu presido ainda uma comissão com o Jeffrey Sachs e com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, em que a gente busca cada vez mais como é que você financia cidades, governos locais para tratar das questões das mudanças climáticas. Porque quem é que vai salvar os Estados Unidos nesse novo governo Trump? Serão de novo os prefeitos, como aconteceu no passado. Então você vai ter uma mudança na leitura, na política do governo central americano, mas os governos locais, uma quantidade enorme de prefeitos, eu já fui presidente do C40, continuam endereçando esses temas. Como é que a gente eletrifica a frota de transporte das cidades, como é que se aumenta áreas verdes nas cidades, como é que você destina de maneira mais adequada os resíduos sólidos.

Venho defendendo isso há muito tempo, se fica menos dependente dessas pressões dos governos nacionais e centrais, mas eu acho que você tem toda a razão, o tema está muito menos chamando muito menos atenção do que no passado.

(Com Ana Carolina Diniz)

Rio terá grande biblioteca na região portuária, anuncia Eduardo Paes

No ano em que o Rio será a Capital Mundial do livro, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, anuncia o lançamento de um concurso internacional para a construção de uma grande biblioteca pública na região portuária do Rio, que vai ser um pouco biblioteca pública e arquivo geral do município.

– A gente quer criar mais um ícone na região do centro, criar mais um símbolo importante para aquela região.

O prefeito diz que, no próximo ano, vai provocar as escolas de samba que façam enredos sobre a literatura internacional e nacional. Ainda sobre o carnaval, Paes vê com bons olhos que a Sapucaí tenha mais um dia de desfiles e diz que o ideal é que o carnaval seja sustentável do ponto de vista financeiro.

Confira a entrevista:

Miriam: O presidente do seu partido, Gilberto Kassab, critica o governo, disse que o ministro Fernando Haddad é fraco e não faz as coisas andarem e que o presidente Lula vai perder a eleição em 2026. O que o senhor acha da opinião do presidente do seu partido?

Paes: Eu estou naquela fase da vida, que eu estou focado aqui na prefeitura. Então eu tô fugindo de…

Está fugindo da pergunta também.

É, também. Mas (fugindo de) interpretar um pouco essas coisas da política nacional. Porque, enfim, eu acho que estamos muito longe da eleição ainda. Eu tenho acompanhado a queda de popularidade do Lula. Mas eu acho que tem um sentimento de pânico geral. Tem um ano e meio até a eleição, para começar o processo eleitoral. Acho que a população não está ligada ainda em eleição, não está nem conectada que vai ter eleição em 2026. Acho que isso é um pouco do debate da política mesmo.

Não conversei com Kassab sobre o tema, provavelmente ele já tinha tido acesso a alguma pesquisa antes do grande público, para saber que estava havendo uma queda de popularidade por esse ou por aquele motivo. Te confesso que a minha relação com o presidente Lula é de muita objetividade, de muita ajuda ao Rio de Janeiro.

Acho que o presidente Lula é um dos poucos políticos nacionais que tem clareza do papel que o Rio pode cumprir para o Brasil, essa face internacional que o Rio tem. Ele ajuda muito o Rio. A escolha do Rio como a sede do Brics é uma decisão política. Fiz o G20 no Rio de Janeiro, vou fazer o Brics no Rio de Janeiro. Agora eu estou pleiteando a história de capital honorária.

É simbólico, mas é importante para um lugar que foi retirado como capital do Brasil sem nenhum tipo de compensação. E depois há a fusão feita pela ditadura militar, de uma maneira abrupta, sem nenhum tipo de olhar. Não estou querendo que a capital venha de Brasília, mas é uma espécie de reconhecimento simbólico que se dá muito mais nesse gestual.

Não tem nenhum efeito concreto, exceto a imagem?

Concreto não, mas ele tem um valor simbólico e que claro que pode abrir para outras oportunidades. Hoje o Lula é o presidente, amanhã vai ter outro presidente….

Queria voltar num ponto, sua opinião sobre o ministro Haddad. Você vê o ministro sem capacidade de realização?

Posso falar aqui pela minha realidade na cidade do Rio de Janeiro. O desemprego diminuiu, a economia cresceu, a arrecadação da prefeitura aumentou e voltamos a ter acesso a crédito. A prefeitura tem a lei de responsabilidade fiscal, que estabelece 120% de capacidade de endividamento sobre as receitas correntes líquidas. Nós estamos em 40%, é baixíssimo o endividamento do município. E até pouco tempo atrás a gente não conseguia contrair dívida. Agora eu busco financiamento, reformei todos os BRTs, estou fazendo o corredor do Anel Viário ali na Zona Oeste e Campo Grande, ou seja, eu tenho que olhar sobre essa perspectiva do município.

E eu também, vou meter aqui numa seara que não sou especialista, Mas eu vejo muito a fala do mercado, que o dólar subiu muito porque o Lula não fez o ajuste fiscal que o mercado desejava. O ajuste fiscal não veio e o dólar está caindo. Da minha realidade aqui de prefeito, o que eu tenho tido no ministro Haddad, é um grande parceiro.

O índice de desemprego chegou em determinado momento a 15%, 16%, e que baixou agora enormemente, voltamos a uma posição adequada, que o Rio sempre ocupou nas regiões metropolitanas brasileiras, sob a minha perspectiva Estamos avançando, a pobreza diminuiu. Não tenho aqui a capacidade de fazer uma análise no longo prazo. Isso é um voo de galinha ou não é um voo de galinha.

Vamos pensar no carnaval. O carnaval esse ano vai ser três dias de desfile do Grupo Especial. Não é demais? Não vai cansar a cidade?

Eu vou ficar cansado, certamente. Eu acho que a cidade celebra. Primeiro, o carnaval ficou comprovado esse ano, inclusive no caso da Sapucaí, que ele é um ciclo de mais de um mês. Primeiro tem os blocos oficiais que já estão há um mês na rua. Aí tem o tal do carnaval que não é oficial, que todo mundo sabe que tem, que a gente tem que ficar atrás dos blocos que se recusam a informar onde vão desfilar.

Depois os ensaios técnicos esse ano na Sapucaí, que foram um enorme sucesso:120 mil pessoas acompanhando as escolas de graça. Isso é uma super oportunidade. E tem uma modelagem interessante que a Liesa está propondo, que é olhar essa história mesmo do Business Carnaval. É uma manifestação cultural incrível, com tudo aquilo que a gente sabe que as escolas de samba transmitem na Sapucaí, mas isso representa uma atividade econômica importante para a cidade.

Então, três dias é mais turista, é mais tempo do turista gastando, é mais oportunidade de vender ingresso. O meu sonho, e acho que a Liesa começa a caminhar nessa direção, é o seguinte: o ideal é possível que o carnaval seja sustentável, só do ponto de vista financeiro. se tenha mais a necessidade do subsídio público para o carnaval.

Na hora que ganha os direitos de TV, na hora que vende, eles organizaram essa coisa de cervejas nos camarotes. Tudo é mais dinheiro para as escolas, que precisam de melhores condições e vão passar a depender menos dos patronos.

Podemos transformar essa atividade cultural e social tão importante que são as escolas de samba em uma atividade sustentável economicamente. Eu acho que é isso que a Liesa está buscando nesse momento. Eu acho que é uma bela iniciativa. Eu estou preocupado com a minha saúde física (risos).

Como é que você vai acompanhar?

Vou nos dois dias do grupo de acesso e depois são três dias de Especial. Antes eram dois dois dias para descansar, terça e quarta, agora só tem a quarta-feira de cinzas. Mas a gente vai com fé.

Esse ano vai ter muito evento, o que é a Capital Mundial do livro? O que vai significar isso na prática para quem mora aqui?

Primeiro, tem um aspecto cultural importante, temos que ampliar cada vez mais a cultura da leitura. O Rio é uma cidade marcada em todas as suas esquinas por nomes incríveis da literatura brasileira. Você tem aqui a sede da Academia Brasileira de Letras.

Dia 23 de abril, dia de São Jorge, é o dia que o Rio oficialmente vira a capital mundial do livro. Vamos fazer um grande lançamento, a Academia Brasileira de Letras está nos ajudando nisso. Estamos montando uma programação que está quase concluída, e vai ter muita coisa acontecendo pela cidade. Queremos criar bibliotecas nos BRTs. Vai ter uma estante, e pode-se fazer a troca gratuitamente. Muita parceria com a Biblioteca Nacional, com o Arquivo Nacional e com a Academia Brasileira de Letras.

Queremos provocar as escolas de samba do ano que vem. A gente nunca obriga, mas induz. Vamos tratar da literatura mundial, claro, puxando para a literatura brasileira. Então, um pouco esse esforço de trazer essa cultura e, claro, fortalecer na base. Nós temos quase 700 mil crianças nas nossas escolas.?

Temos uma novidade que eu não contei ainda: vamos lançar um concurso internacional para a construção de uma grande biblioteca pública na região portuária do Rio, que vai ser um pouco biblioteca pública e arquivo geral do município. E essa biblioteca é mais um ícone, a gente quer fazer na região do centro, criar mais um ícone, mais um símbolo importante para aquela região.

Durante a campanha falou-se muito de guarda municipal armada, que era a proposta do seu adversário, Alexandre Ramagem. E agora você tem defendido uma força policial armada. Eu queria entender isso. É outra força? É a atual guarda armada? É uma outra força? Como é que você pretende viabilizar isso?

Primeiro, esse tema passou a ser o tema prioritário da população brasileira e, no caso do Rio de Janeiro, muito mais.

Aliás, hoje a pesquisa da Quaest já aponta o Rio de Janeiro como 71% achando que a segurança é o grande problema do país.

Você tem vantagens de ser prefeito tetra, o que me dá muito orgulho. Na minha primeira eleição, o grande tema era a saúde. Na minha segunda eleição, o grande tema era saúde de novo. Na minha terceira eleição, o grande tema era transporte.

Já na eleição do ano passado, o grande tema era segurança. E os municípios sempre tiveram um papel muito tímido no campo da segurança pública. Então você tem uma série de fatores, e o principal, certamente, é a decisão do Supremo Tribunal Federal, que foi consolidada recentemente, mas que ela já vinha sendo a vitória da possibilidade de municípios fazerem o patrulhamento ostensivo, preventivo, comunitário nas ruas da cidade.

E no caso do Rio, óbvio que vai ter que haver uma integração com as forças policiais do Estado, mas a falência da política de segurança pública do Estado faz com que esse tema seja mais premente ainda. Eu estou assumindo a presidência da Frente Nacional de Prefeitos por um motivo só. É claro que você tem que defender o municipalismo, o papel que as prefeituras têm a cumprir no Brasil, mas o tema da segurança é cada vez mais cobrado dos governos locais.

O modelo que a gente está tentando implementar aqui no Rio, eu vou dar um exemplo aqui. Ele não vai resolver o problema do Complexo de Israel, este tipo de combate, às organizações criminosas, milícias, narcotraficantes.

Vou dar um exemplo. Ontem viralizou na internet, um assalto, uma senhora de bicicleta no parque do Flamengo foi cercada com os bandidos tentando roubar a bicicleta dela. Esse é o típico caso que a Força Municipal pode ajudar.

Não vai enfrentar o problema da milícia, da ocupação territorial, das barreiras que fazem isso. Vai continuar sendo o papel da polícia militar, da polícia civil, que é a polícia investigativa, a polícia judiciária, que cumpre esse papel. Essa integração vai ser muito importante e imaginamos também poder liberar as forças policiais tradicionais, Polícia Militar, Polícia Civil, para o seu papel mais de combate ao crime organizado.

Mas você está falando da Guarda Municipal ou você está falando de uma outra força armada?

Na lei orgânica do município do Rio, está determinado que o município poderá criar guardas municipais a diferentes tempos. Nós temos uma guarda municipal que não foi treinada, não tem a cultura, seus concursos públicos não foram com a cultura dos armas. Não estou a fim de criar mais uma força que seja suscetível a virar milícia no Rio de Janeiro.

Por exemplo, criamos essa força municipal, permitirmos o ingresso de guardas municipais, vai ter um processo seletivo, ele chegando nessa força municipal, mantendo ele como servidor estatutário, ele vai ter um treinamento como se ele estivesse entrando nessa força municipal, como se fosse uma coisa nova pra ele. E ali ele vai ter condições diferentes.

São novos contratados para a mesma guarda.

Na verdade, a gente quer fazer uma espécie de concurso público com algumas premissas. Por exemplo, entendemos que tem muita gente que sai deste modelo de militarismo temporário, como CPOR, do exército, mas tem Marinha, aeronáutica. Tem um treinamento, em geral, passaram lá oito anos e que tem todas as condições, claro, com devido processo seletivo, de ser contratado pelo município.

Queremos criar um modelo de policiamento ostensivo, de policiamento comunitário, de policiamento preventivo, que parta da premissa de respeito aos direitos do cidadão, mas também que possa agir com a energia necessária para o combate a essa bandidagem que toma conta das ruas das cidades brasileiras.

Porque é sempre uma confusão. Ficamos sempre naquele negócio, ou é a sociologia excessiva, ou passar a mão na cabeça do delinquente, ou então eu tiro na cabecinha, como se o Estado fosse um assassino. O Estado não pode se comparar a um bandido, por isso o Estado tem o monopólio da força. O Estado pode até, se ameaçado, pode até vir a matar. Mas o papel principal do Estado é deter esse criminoso, prender e levar a julgamento.

O que a gente quer é uma guarda, que seja uma polícia, uma força municipal que seja firme e que possa proteger o cidadão. Agora, tem um desafio. Sabemos que os municípios têm aí atribuição na educação, na saúde, a pressão sobre os municípios é muito grande. Quando vem essa pressão da segurança pública, significa um custo. Vou dar um exemplo concreto. Até o meu mandato passado, eu não subsidiava passagem de ônibus no Rio de Janeiro. Eu criei o subsídio. Hoje, tem lá entubado no orçamento da prefeitura R$ 1,5 bi esse ano para pagar subsídio de ônibus. Na hora que você cria uma força municipal e começa a endereçar o problema da segurança pública, você está colocando mais um custo para os municípios.

Acontece com São Paulo, lá com o Ricardo (Nunes), acontece com João Campos do Recife, acontece com o Jota ali em Maceió. Precisamos discutir isso a nível nacional, porque os municípios cada vez mais estão sendo demandados para prestar serviços que seriam de outros níveis da federação pela proximidade dos prefeitos. E os recursos não são iguais para isso. Esse é o esforço que a gente vai fazer.

No Rio de Janeiro, já há algum tempo, a gente não tem clareza do que é uma política de segurança pública. Nós temos, hoje, nesse momento, três secretarias cuidando do tema. Uma decisão do Supremo, que eu já manifestei contrária, a ADPF…

Mas como proteger o alvo de sempre? O meu medo é criar mais uma força policial ou botar mais policiais na rua que vão atirar contra uma pessoa negra, como já acabou de acontecer agora na Penha com o Igor e o Tiago. O Igor é estudante, ele quer ser jornalista e está agora lutando pela vida num hospital. Sendo inocente, foi acusado. Como evitar a propagação desse problema que o Brasil tem, dessa tragédia que o Brasil tem, que é matar jovens negros.

Por isso, talvez esteja aí a explicação da gente não sair: “vamos armar toda a Guarda Municipal, pegar 7.500 homens que não foram treinados, nem fizeram concurso para andar armado, daqui a pouco vamos armar essa turma toda.”

Temos que entender que o Estado precisa agir, precisa ser duro, precisa ser firme no combate à violência, mas que isso tem que ser feito dentro da legalidade. Quando você olha para essa história da ADPF, eu conversei isso com vários ministros.

Você era a favor e ficou contra isso? A decisão do o ministro Edson Fachin

Não, sempre fui contra. Se você olhar a decisão do ministro Fachin, não diz nada demais ali. Manda cumprir a lei. Respeite a lei.

Agora, tem um problema na origem da narrativa. Porque, na minha opinião, não é papel do Supremo, e eu conversei isso com o ministro do Supremo, com todo o respeito, como é que o Supremo vai ficar controlando, dando um manual de procedimentos para polícia? Existem caminhos para esse controle da legalidade, não é papel do Supremo. E o pior dessa ADPF é que ela virou uma desculpa para não se fazer nada no Rio de Janeiro.

A incompetência da política de segurança pública do atual governo, ela é justificada pela ADPF, que é uma mentira. Eu vou dar um exemplo. As pessoas conhecem muito pouco o Rio de Janeiro. Dizem, a comunidade de Brás de Pina. Brás de Pina é um bairro, Parada de Lucas é um bairro. Cordovil é um bairro. Cidade Alta é um bairro. Todos com ruas e serviços públicos. Então não tem desculpa nenhuma, até porque a ADPF supostamente só incide sobre comunidade, para ter um sujeito lá que vira dono do chamado complexo de Israel. Sabe o que falta? Autoridade. Vergonha na cara. E quando falta autoridade, quando falta política clara, é que esses agentes da lei, que não são conduzidos da forma adequada, sem autoridade adequada, acabam cometendo esses absurdos.

Quando eu vejo você falando com esse ânimo todo sobre uma questão que é uma questão principalmente estadual, eu vejo aí um candidato a governador do Rio de Janeiro em 2026. É isso?

Olha só, eu não vou deixar de tratar dos temas da minha cidade Eu disse que eu não vou ser candidato a governador. Eu acho que é uma agonia do cidadão carioca E isso ficou muito claro na eleição de 2024. Covardemente, os meus adversários, que aliás estão governando o estado do Rio de Janeiro e implementando essa política de segurança há seis, sete anos, tentavam imputar a mim os problemas na segurança pública do Rio de Janeiro. Barreiras, barricadas, Complexo de Israel, esses absurdos que estão acontecendo no Rio de Janeiro.

E a gente fez esse debate de maneira muito franca, e óbvio, há a decisão do Supremo a possibilidade do prefeito passar a ter uma postura mais ativa nesse tema e ter os instrumentos para enfrentar.

Agora, de novo, a gente tem que dizer claramente para a população o que é que um prefeito vai poder fazer e o que é que um prefeito não vai poder fazer. Portanto, o Complexo de Israel é, para mim, o menor exemplo, porque ele ficou famoso. Tem tantas áreas da cidade piores.

Outro dia eu fui a Senador Camará, e na Estrada do Taquaral em cada extremidade tem uma cancela com pneus para queimar. Eu nunca vi coisa igual. E olha que eu ando pelas ruas do Rio de Janeiro desde que eu sou subprefeito, fui subprefeito do bairro Jacarepaguá, há exatos 33 anos. Nunca vi isso.Ando em Senador Camará há 30 anos. Nunca vi isso acontecendo. E não é uma comunidade.

A ADPF não incide ali. Portanto, o que eu tenho alertado os ministros do Supremo, é que é um tema errado. Deleguem isso para o controle da legalidade, a justiça do Rio de Janeiro, a polícia federal. Porque é impossível a partir de uma visão de Brasília, sem conhecer essa realidade, estabelecer esses procedimentos e respeitar a lei é a obrigação do Estado. Estamos sendo redundante e, de novo, dando narrativa para a incompetência de uma gestão política de segurança pública que não existe.

Há projetos imobiliários e arquitetônicos que estão incomodando muita gente, porque implicam em derrubada de árvores no Jardim de Alah e também no Alto Gávea. E eu quero que você me explique o seguinte, tem mesmo que derrubar árvores para fazer esse projeto arquitetônico, este projeto imobiliário? Ou não é para fazer projeto imobiliário da Gávea? Como é que você está vendo essas pressões que estão na cidade, estão nas placas, estão nas redes sociais?

Primeiro, toda essa avaliação de quando se autoriza uma derrubada de árvore, toda vez que se faz construir algo novo, em geral, aquele espaço é ocupado por algum tipo de vegetação. Quando a vegetação não é uma vegetação nativa, ela já estranha aquele ambiente, como é o caso do Jardim de Alah, você autoriza e você tem sempre a medida compensatória.

Em média, para cada árvore que você retira, você tem que plantar oito, nove, sei lá, um número mais ou menos assim. Então o projeto do Jardim de Alah é um projeto para melhorar aquele espaço, ele cria a partir de uma sustentabilidade econômica, acho que por isso que a gente conseguiu fazer aquilo ali em PPP, você permite tirar árvores que não são naturais daquela região. Você vai plantar novas árvores e eu tenho certeza que a natureza vai melhorar muito no jardim de Alah.

Nesse caso da Gávea eu não conheço o detalhe, mas volta e meia, outro dia a gente teve um empreendimento na Tijuca, numa área que estava lá verde. É óbvio que se eu moro num lugar, tem um terreno particular que não foi construído ainda, eu não quero que construa nada na frente, mas tem um direito a construir ali e a legislação prevê que você possa fazer isso, desde que você oferte o que a gente chama de medida compensatória.

Você está tirando a árvore, você vai plantar em outros lugares, vai ter uma medida compensatória, às vezes pagamento de algum recurso, de dinheiro, para que possa compensar aquilo. É um pouco dos conflitos da vida urbana. Eu acho que o Jardim de Alah é um desafio muito antigo, muito antigo do Rio de Janeiro. Ele fica ali numa região fantástica da cidade, entre os dois bairros mais valorizados do Rio de Janeiro, com a Lagoa de um lado e a praia do Leblon de Ipanema do outro. A gente nunca conseguiu dar uma utilização àquilo. O projeto fez uma concorrência pública, uma chamada pública. O projeto é um projeto muito suave, de muita qualidade. Não é fazer um shopping ali, as pessoas tentam passar ideia. O shopping já tem ali, o shopping Leblon. Você vai fazer um espaço de utilização daquele equipamento com mais qualidade.

Você acabou de voltar de Davos, parece que é um momento em que as questões ambientais estão em retrocesso, dado o governo americano ou todo o comportamento até de empresas. Lá em Davos, você sentiu que a questão climática e ambiental continua forte?

Não. Eu acho que não. Apesar de eu ter participado de uma mesa com o governador Helder que tratava da questão da COP em Belém. Eu presido ainda uma comissão com o Jeffrey Sachs e com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, em que a gente busca cada vez mais como é que você financia cidades, governos locais para tratar das questões das mudanças climáticas. Porque quem é que vai salvar os Estados Unidos nesse novo governo Trump? Serão de novo os prefeitos, como aconteceu no passado. Então você vai ter uma mudança na leitura, na política do governo central americano, mas os governos locais, uma quantidade enorme de prefeitos, eu já fui presidente do C40, continuam endereçando esses temas. Como é que a gente eletrifica a frota de transporte das cidades, como é que se aumenta áreas verdes nas cidades, como é que você destina de maneira mais adequada os resíduos sólidos.

Venho defendendo isso há muito tempo, se fica menos dependente dessas pressões dos governos nacionais e centrais, mas eu acho que você tem toda a razão, o tema está muito menos chamando muito menos atenção do que no passado.

(Com Ana Carolina Diniz)

Dívida pública federal tem queda de 0,87% em janeiro e recua para R$ 7,25 tri

O estoque da dívida pública federal registrou queda de 0,87% no último mês de janeiro, em termos nominais, passando de R$ 7,31 trilhões, em dezembro, para R$ 7,25 trilhões, no mês seguinte. Diante disso, a queda nominal da dívida nesse período foi de R$ 63,39 bilhões. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (26/2) pelo Tesouro Nacional, durante a apresentação do Relatório Mensal da Dívida (RMD).

Segundo o Tesouro, os sinais mais amenos na guerra comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causaram impacto positivo nos mercados emergentes em janeiro, além da queda do nível da curva de juros local, que corrigiu parte da forte alta registrada em dezembro e acompanhou o movimento do dólar. A moeda norte-americana desvalorizou 5,54% no período, o que representa a maior queda mensal desde junho de 2023.

No primeiro mês do ano, a dívida pública mobiliária federal interna (DPMFi) teve queda de 0,23% em seu estoque, recuando de R$ 6,96 trilhões para R$ 6,95 trilhões. O recuo desse indicador se deve principalmente ao resgate líquido, no valor de R$ 79,97 bilhões, que foi neutralizado, em parte, pela apropriação positiva de juros, no valor de R$ 63,97 bilhões.

Já o estoque da dívida pública federal externa (DPFe) — que representa a parte da dívida pública do país que está em moeda estrangeira — registrou variação negativa de 13,57% em relação ao mês anterior. Diante disso, a DPFe encerrou o mês de janeiro em R$ 301,81 bilhões, ou US$ 51,77 bilhões, sendo R$ 249,21 bilhões referentes à dívida mobiliária e R$ 52,59 bilhões relativos à dívida contratual.

Já no mês de fevereiro, o Tesouro avalia que a postergação na implementação de tarifas por Trump aumenta o apetite por risco entre os investidores, o que, em tese, favorece os mercados emergentes, como o Brasil. Ainda segundo a secretaria, a curva de juros perde nível e inclinação em função de expectativas de diminuição no ritmo de elevação da taxa básica de juros, a Selic.

Quaest: desaprovação de Lula chega a 70% em Goiás

A desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cresceu 14 pontos percentuais em Goiás. Segundo a pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (26/2), o chefe do Executivo é desaprovado por 70% dos entrevistados no estado goiano e é aprovado por 28%.

Além disso, 58% dos goianos avaliam o governo como negativo, 22% como regular e 18% como positivo. A pesquisa também avaliou o que o estado acha da economia do Brasil nos últimos 12 meses. Para 58% a questão econômica piorou, para 26% ficou igual e 14% responderam que melhorou.

Questionados sobre como ficaram os preços dos alimentos no último mês, 96% dos entrevistados de Goiás disseram que notaram o aumento, 3% afirmaram que ficaram iguais e para apenas 1% os preços caíram.

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A pesquisa também indagou se os goianos acham que o Brasil está indo na direção certa ou errada. Para essa pergunta, 68% responderam errada e 25% certa. Além disso, 86% afirmaram que Lula deve fazer um governo diferente nos próximos dois anos e 9% igual.

A Quaest também entrevistou pessoas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco. A desaprovação de Lula supera a faixa dos 60% em cinco estados além de Goiás: São Paulo (69%), Minas Gerais (63%), Rio de Janeiro (63%), Paraná (68%) e Rio Grande do Sul (66%).

Aprovação de Lula segundo a pesquisa Quaest

O levantamento observou, ainda, que a aprovação de Lula caiu mais de 15 pontos em dois estados do Nordeste em relação a última pesquisa, realizada em dezembro de 2024. Na Bahia a aprovação foi de 66% para 47%. Em Pernambuco, passou de 65% para 49%.

Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, embora o Produto Interno Bruto (PIB) tenha crescido 3,5% em 2024, em todos os 8 estados pesquisados a percepção da população é que a economia piorou. “A sensação de piora na economia pode ser explicada pela quase unanimidade na percepção de aumento no preço dos alimentos nos 8 estados pesquisados”, cita o especialista, na rede social X.

1/ Pesquisa Genial/Quaest mostra que a desaprovação ao governo Lula ultrapassa 60% em SP, MG, RJ, PR, RS e GO; aprovação cai 18 pp na BA e 17 pp em PE, e é superada numericamente pela desaprovação pela primeira vez.

Segue o fio… ???? pic.twitter.com/O4WYugN6cV

— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) February 26, 2025

Felipe ainda afirmou que além do fator econômico, que continua pesando negativamente na avaliação do governo, também pesa contra a percepção de que o país não caminha na direção certa. “Essa é a percepção nos 8 estados pesquisados. Sem um rumo certo, o governo transmite insegurança para a população”, diz o consultor.

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Demanda por crédito no Brasil tem queda de 7% em 2024

A demanda por crédito no Brasil registrou queda de 7% em 2024, em comparação com 2023. É o que mostrou o Índice Neurotech de Demanda por Crédito (INDC), que mede mensalmente o número de solicitações de financiamentos nos segmentos de varejo, bancos e serviços.

Apesar do cenário ainda delicado para o setor de crédito, considerando que 2023 já havia apresentado um recuo significativo em relação a 2022, de 13%, o monitor mostra que a reta final de 2024 traz boas perspectivas para o ano atual.

De acordo com Natália Heimann, líder da Business Unit de Dados & Analytics para Crédito da Neurotech e responsável pelo indicador, o ano passado foi marcado por um cenário econômico, em geral, ainda muito conturbado.

“Principalmente considerando o crescimento constante das taxas de juros, que tem impacto inevitável para o consumo. Porém, o último trimestre foi bastante positivo, com recuperação acima dos 10% em todos os meses. Sem dúvidas, o ano de 2025 começou mais animador para as empresas e operadoras de crédito”, analisa.

Ainda segundo o INDC, somente no mês de dezembro o crescimento da demanda por crédito foi de 18%, quando comparado com o mesmo mês de 2023, sendo este o maior crescimento observado nos últimos anos. Em relação ao mês anterior, novembro de 2024, o aumento foi de 6%.

Durante todo o ano, o principal destaque positivo foi o setor de serviços, que fechou com um crescimento de 30% no apanhado geral e, em dezembro, cresceu 42% frente ao mesmo mês de 2023. Os demais segmentos analisados, bancos e financeiras, e varejo, caíram 3% e 20%, respectivamente.

“Historicamente, o varejo é o segmento de maior impacto no Índice por englobar categorias importantes para o cotidiano dos brasileiros, como supermercados e vestuário, o que explica a queda de 7% no apanhado geral, mesmo com outros segmentos performando acima da média”, destaca Heimann.

“Com a consolidação do bom momento para os serviços, que cresceram em todos os meses do ano passado, uma esperada recuperação do varejo pode fazer de 2025 um ano histórico para a oferta de crédito”, complementa.

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O INDC abrange empresas, instituições financeiras e varejistas, mensurando o apetite do brasileiro pelo crédito. De acordo com a empresa de análise de dados, nem todas as milhões de consultas mensais registradas se transformam em concessão de crédito, pois o processo depende de fatores como o perfil da pessoa que está fazendo a solicitação, o apetite ao risco da financeira e se há ou não indícios de fraude.

Lésbica, PhD, pró-deportação de ‘não assimilados’: quem é a cara da direita radical em ascensão na Alemanha

O partido de centro-direita União Democrata-Cristã (CDU) venceu as eleições parlamentares da Alemanha neste domingo (23/2), com 28,6% dos votos após a conclusão da contagem.

A legenda de direita radical Alternativa para Alemanha (AfD) ficou em segundo lugar, com votação recorde de 20,8%. Sua líder Alice Weidel afirmou que foi um “resultado histórico”, já que o partido obteve enormes ganhos desde a eleição de 2021.

Líder da CDU, Friedrich Merz terá a missão de formar um novo governo alemão, no lugar do chanceler Olaf Scholz, da coalizão de centro-esquerda do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD).

O partido de Scholz terminou em terceiro lugar, segundo a contagem final, e os Verdes ficaram em quarto.

Ao longo da última década, a AfD tem sido um dos partidos que mais cresceu junto ao eleitorado alemão. Com o resultado obtido, a AfD dobra seu número de assentos no Parlamento.

O partido é liderado por Alice Weidel, que se tornou popular entre os eleitores jovens no TikTok, principalmente homens. Analistas dizem que apesar de ela ter poucas chances de se tornar chanceler nesta eleição, a legenda trabalha com essa meta para os próximos quatro anos na Alemanha.

A AfD propõe medidas como a saída da União Europeia, a volta do marco alemão no lugar do euro como moeda nacional, o reestabelecimento de relações com a Rússia, a desativação de usinas eólicas e uma política de “remigração” — com deportação de cidadãos alemães baseado nas suas etnias.

Ao longo de seus 12 anos de existência, a AfD é foco de tensões no país, tendo provocado manifestações com multidões (a favor e contra a sigla).

No ano passado, após um escândalo, houve um debate nacional sobre se a AfD deveria ser banida da política. Em dois Estados alemães, a sigla é considerada “extremista”, e é monitorada por serviços de inteligência alemã. O partido é considerado extremo demais até mesmo por outras siglas da direita radical na Europa, que o excluíram de um grupo pan europeu.

Críticos também apontam para ligações da AfD com ideologias nazistas. Nos seus comícios, a líder é recebida com cartazes que dizem “Alice für Deutschland” — que é muito semelhante ao slogan da Alemanha nazista “Alles für Deutschland” (“Todos Pela Alemanha”).

Os alemães vão às urnas neste domingo (23/02) escolher quem deve comandar o país após uma crise política no final do ano passado ter culminado em um voto de não-confiança no chanceler Olaf Scholz, do partido social-democrata SPD, de centro-esquerda.

O SPD de Scholz aparece em terceiro lugar, com cerca de 16% das intenções de voto, atrás dos 20% da AfD e dos cerca de 30% dos líderes, a coalização conservadora formada pela União Democrata-Cristã (CDU) e seu partido irmão da Baviera, a União Social Cristã (CSU).

Se as pesquisas se confirmarem, é o líder da CDU Friedrich Merz que deve ser o novo chanceler alemão após um acordo para a formação de governo.

A maior economia da Europa enfrenta diversos desafios, como o declínio econômico, atentados recentes, alta no preço de energia, perda de competitividade para China e EUA e o número crescente de imigrantes que chega ao país.

Lésbica e conservadora

O improvável rosto da AfD hoje é Alice Weidel, uma ex-analista de investimentos de 46 anos, que trabalhou nos bancos de investimentos Credit Suisse e Goldman Sachs.

Ela cresceu em uma família católica de classe média na Renânia do Norte-Vestfália, no oeste do país. Seu pai era vendedor e sua mãe era dona de casa. Seu avô era membro do partido nazista e foi indicado juiz militar na Polônia ocupada.

Weidel trabalhou na China, onde fez doutorado em economia estudando o sistema de aposentadoria do país, e fala mandarim. Já disse que é admiradora da ex-premiê britânica conservadora Margareth Thatcher.

Apesar de a AfD ter uma plataforma anti-imigração e conservadora dominada por homens — que defende o conceito de família como um pai e uma mãe — a líder do partido é lésbica e está criando dois filhos com a produtora de filmes Sarah Bossard, sua esposa nascida no Sri Lanka mas de cidadania suíça. Weidel, a mulher e os filhos passam a maior parte de seu tempo na Suíça — segundo a líder política por causa de ameaças que recebe na Alemanha.

Críticos questionam como ela consegue conciliar posições tão antagônicas: de um lado, um casamento lésbico com uma mulher de origem asiática; do outro a visão conservadora de famílias e a proposta de expulsar alemães de etnias diferentes do país. Mas Weidel não costuma falar sobre sua vida pessoal.

Analistas políticos dizem que Weidel é responsável pela recente radicalização da AfD.

Na campanha eleitoral, a AfD propôs fechar as fronteiras da Alemanha, retomar a compra de gás natural da Rússia e, em última instância, desmantelar a UE.

O manifesto acordado pelo partido inclui planos para abandonar o acordo climático de Paris e renunciar o euro como moeda.

Weidel passou a adotar publicamente o termo “remigração” — do qual aparentemente vinha tentando se distanciar no ano passado.

Trata-se de uma proposta para deportar estrangeiros e cidadãos “não assimilados”. Ou seja: expulsar da Alemanha cidadãos nascidos no país com etnias não-alemãs.

A remigração foi foco de um grande escândalo envolvendo a AfD no ano passado (veja abaixo nesta reportagem), mas em um encontro da sigla em janeiro, Weidel falou sobre “repatriações em larga escala”.

“E tenho que ser honesta com você: se isso vai ser chamado de remigração, então é isso que vai ser: remigração”, disse ela.

Ao longo da campanha, Weidel também prometeu que, caso fosse eleita chanceler, daria um cargo em seu governo a Björn Höcke, um dos políticos mais radicais da AfD.

No ano passado, ele foi multado duas vezes por usar o slogan nazista “Alles für Deutschland” em discursos. Ele disse que usava a frase de forma corriqueira e negou estar ciente de suas origens, apesar de ter sido professor de história.

Hitler ‘de esquerda’

Ao longo da campanha eleitoral, Weidel e a AfD ganharam aliados de peso do novo governo dos EUA de Donald Trump.

Poucos dias antes da eleição, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, encontrou-se com ela logo após a Conferência de Segurança de Munique — quando Vance fez um discurso que indignou os líderes europeus, ao criticar a forma como a Europa está lidando com a crise de imigrantes.

Muitos pontos do discurso de Vance coincidem com as posições da AfD.

Esse apoio de integrantes governo americano tem ajudado a AfD a atingir mais pessoas — já que o partido é marginalizado dentro da política alemã.

Na Alemanha, e em outros países europeus, como na França, partidos mais tradicionais tentam estabelecer um “cordão sanitário” — eles se recusam a fazer alianças com partidos da direita radical.

Recentemente, Weidel e a AfD ganharam um apoio estratégico: o do bilionário Elon Musk, homem mais rico do mundo e diretor do departamento de eficiência governamental do novo governo Trump.

Elon Musk apareceu em comícios de Weidel por videoconferência declarando apoio à AfD

Em dezembro, Elon Musk apareceu em um telão em um comício da AfD na cidade de Halle e pediu que os alemães votem no partido.

E em janeiro, Weidel, que não é convidada para a maioria dos debates na Alemanha, ganhou uma plataforma grande internacional ao participar de uma live no X com Musk que durou 74 minutos, na qual ambos conversaram sobre temas diversos, como política energética, burocracia alemã, Adolf Hitler, Marte e o significado da vida.

Weidel aproveitou a conversa para ressaltar semelhanças entre seu partido e o trumpismo nos EUA: movimentos “conservadores”, “libertários” e retratados de forma negativa como “extremistas” pela “mídia tradicional”.

Na conversa com Musk, ela buscou distanciar seu partido de Adolf Hitler, que ela classifica como “de esquerda”. Weidel disse que Hitler tinha sido um “comunista”, apesar do notável anticomunismo do líder nazista, que invadiu a União Soviética.

“Ele não era conservador”, ela disse. “Ele não era um libertário. Ele era esse cara comunista, socialista.” Ela também descreveu Hitler como um “socialista antissemita”.

Origem menos radical

Apesar do perfil atual da AdF, o partido nem sempre foi vinculado à direita radical. E suas origens, a sigla defendia políticas mais moderadas.

A AfD surgiu no cenário alemão em um contexto bastante diferente dos dias de hoje. Foi em 2013, quando a Europa enfrentava uma grave crise financeira.

Países do Sul da Europa — como Grécia, Portugal e Espanha — estavam atravessando problemas de solvência da sua dívida pública, afetando a estabilidade econômica de toda a União Europeia.

A Alemanha liderou a UE em pressões para que os governos em crise adotassem medidas de austeridade fiscal que restabelecem o equilíbrio econômico do continente em troca de pacotes de ajuda financeira — mas com alto custo social para os países do Sul da Europa, que precisaram reduzir drasticamente seus gastos governamentais.

Em lugares como a Grécia, houve grande reação popular contra a Alemanha, vista como responsável por aprofundar a crise econômica do país.

Na Alemanha, também houve reações contrárias. Muitos alemães acreditavam que seu país estava sendo prejudicado pelas demais economias da União Europeia, que precisava bancar pacotes de ajuda para garantir a estabilidade econômica do continente.

A AfD foi fundada em abril em 2013 como um partido eurocético — que criticava a abordagem alemã, mas não defendia a saída alemã da União Europeia.

No seu princípio, o partido não era considerado uma sigla de direita radical, mas ao longo dos anos isso foi mudando, na medida em que muitos de seus líderes adotaram retóricas contra imigrantes e muçulmanos.

Radicalização

O primeiro grande sucesso político da AfD veio em 2015, quando o partido conseguiu estabelecer uma comissão no Parlamento para investigar se a decisão de Angela Merkel de deixar entrar cerca de 1,3 milhão de migrantes e refugiados sem documentos, principalmente do Oriente Médio, violava as leis alemãs.

A partir desse momento, a imigração virou a plataforma principal da AfD. Houve contatos com o movimento anti-imigração Pegida, que organizou marchas semanais contra o que chamou de “a islamização do Ocidente”.

Tanto o Pegida quando a AfD ganharam muito apoio no leste ex-comunista da Alemanha, sobretudo entre jovens homens.

A AfD sempre foi marcada por disputas internas, com grandes discordâncias entre alas moderadas e radicais.

AfD tem sido alvo de manifestações com multidões a Alemanha, tanto a favor como contra a silga

Em seus 12 anos de história, a AfD teve quatro líderes — e três deles abandonaram o partido reclamando que a sigla havia se afastado dos seus ideias e se radicalizado.

A primeira vez foi em 2015, quando seu primeiro líder, o economista Bernd Lucke, deixou o partido, alegando que a sigla estava se tornando cada vez mais xenófoba.

Bernd Lucke, fundador e primeiro líder da sigla, disse em 2015 que a AfD havia se tornado um partido “islamofóbico e xenofóbico”, com tendências antiocidentais e pró-Rússia.

Escândalos e ‘remigração’

Ao longo de sua ascensão na última década, a AfD também vem sofrendo com uma série de percalços e escândalos.

Em maio do ano passado, a AfD foi oficialmente classificada como “suspeito de extremismo” em uma decisão de um tribunal alemão. Isso significa que os serviços de inteligência podem monitorar as atividades e comunicações da AfD.

O tribunal da cidade Münster disse que uma parcela significativa da AfD quer criar uma sociedade de dois níveis — onde pessoas julgadas como “etnicamente alemãs” teriam mais direitos do que pessoas cujas famílias originalmente vieram do exterior. Isso, de acordo com a Constituição alemã, seria discriminação ilegal.

No processo, a AfD negou que seja antidemocrática. Líderes do partido rejeitaram a decisão, acusando os juízes de não fornecerem provas suficientes para sua decisão. A AfD foi designada como extremista de direita radical também nos Estados da Turíngia e Saxônia.

Outro grande percalço foi a expulsão da AfD do grupo Identidade e Democracia, que reúne outras siglas da direita radical do continente no Parlamento Europeu, também em maio do ano passado.

Diversos outros partidos da direita radical na Europa — como o francês Frente Nacional, de Marine Le Pen, — já vinham manifestando descontentamento com posições da AfD que são consideradas extremas demais.

Críticos vem ligações entre discurso da AfD e nazismo

O estopim para a expulsão da AfD do grupo europeu aconteceu depois que Maximilian Krah, o principal candidato da AfD para a eleição do Parlamento europeu de junho de 2024, disse a um jornal italiano que os membros da SS nazista — o grupo paramilitar de Adolf Hitler — não eram necessariamente criminosos. Além disso, auxiliares de Krah foram presos na Alemanha, suspeitos de fazer espionagem para a China.

Em outra frente, a AfD também foi abalada por uma investigação que revelou que políticos da sigla participaram de uma reunião clandestina de extremistas de direita em novembro de 2023 na qual se discutiu a “remigração” — a expulsão de cidadãos alemães baseado em suas etnias.

Na reunião em um hotel perto de Berlim, estavam presentes empresários e diversas figuras com ligações a movimentos neonazistas, como Martin Sellner, um ativista austríaco de direita radical.

Na Alemanha, esse escândalo abriu um debate nacional sobre se a AfD deveria ser banida ou não da política alemã e desencadeou uma série de protestos com grandes multidões contra a AfD em diversas cidades alemãs.

Após esses escândalos, Marine Le Pen disse que não queria mais se sentar com o partido no Parlamento Europeu.

“A AfD está passando de uma provocação para outra”, disse Le Pen. O partido, segundo ela, é “claramente controlado por grupos radicais”.

Na época, a líder Weidel buscou se distanciar dos políticos da AfD que participaram da reunião. Mas, em pronunciamentos recentes, ela parece estar agora abraçando a ideia de remigração.

Mesmo com os escândalos, a AfD foi o segundo partido mais votado na Alemanha nas eleições do parlamento europeu no ano passado, conquistando 15 das 96 vagas alemãs.

O que está pouco claro dentro do panorama da política alemã é: como os demais partidos vão tratar a AfD agora que a sigla está prestes a se consolidar como segunda força do país?

No mês passado, a CDU — partido que venceu as eleições alemãs de 2024 — quebrou um tabu ao receber apoio da AfD no Parlamento europeu para aprovar medidas mais duras contra a imigração.

O líder Friedrich Merz, que deve ser o novo chanceler alemão, foi amplamente criticado por romper o “cordão sanitário” formado contra a AfD.

Ele foi acusado pela ex-chanceler Angela Merkel, também do CDU, de quebrar uma promessa de trabalhar apenas com o Partido Social Democrata e os Verdes para aprovar a legislação, e nunca com a AfD.

Merz se defendeu dizendo que uma política não está errada só porque “as pessoas erradas a apoiam” e que ele nunca buscou o apoio da AfD.

Lésbica, PhD, pró-deportação de ‘não assimilados’: quem é a cara da direita radical em ascensão na Alemanha

Analistas acreditam que a eleição geral na Alemanha neste domingo (23/2) pode consolidar o partido da direita radical Alternativa para Alemanha (Alternative für Deutschland, ou AfD, na sigla em alemão) como a segunda força na política do país — conquistando uma votação histórica para o Parlamento alemão.

Ao longo da última década, a AfD tem sido um dos partidos que mais cresceu junto ao eleitorado alemão. Pesquisas sugerem que a AfD pode conquistar 20% dos votos, dobrar seu número de assentos no Parlamento.

O partido é liderado por Alice Weidel, que se tornou popular entre os eleitores jovens no TikTok, principalmente homens. Analistas dizem que apesar de ela ter poucas chances de se tornar chanceler nesta eleição, a legenda trabalha com essa meta para os próximos quatro anos na Alemanha.

A AfD propõe medidas como a saída da União Europeia, a volta do marco alemão no lugar do euro como moeda nacional, o reestabelecimento de relações com a Rússia, a desativação de usinas eólicas e uma política de “remigração” — com deportação de cidadãos alemães baseado nas suas etnias.

Ao longo de seus 12 anos de existência, a AfD é foco de tensões no país, tendo provocado manifestações com multidões (a favor e contra a sigla).

No ano passado, após um escândalo, houve um debate nacional sobre se a AfD deveria ser banida da política. Em dois Estados alemães, a sigla é considerada “extremista”, e é monitorada por serviços de inteligência alemã. O partido é considerado extremo demais até mesmo por outras siglas da direita radical na Europa, que o excluíram de um grupo pan europeu.

Críticos também apontam para ligações da AfD com ideologias nazistas. Nos seus comícios, a líder é recebida com cartazes que dizem “Alice für Deutschland” — que é muito semelhante ao slogan da Alemanha nazista “Alles für Deutschland” (“Todos Pela Alemanha”).

Os alemães vão às urnas neste domingo (23/02) escolher quem deve comandar o país após uma crise política no final do ano passado ter culminado em um voto de não-confiança no chanceler Olaf Scholz, do partido social-democrata SPD, de centro-esquerda.

O SPD de Scholz aparece em terceiro lugar, com cerca de 16% das intenções de voto, atrás dos 20% da AfD e dos cerca de 30% dos líderes, a coalização conservadora formada pela União Democrata-Cristã (CDU) e seu partido irmão da Baviera, a União Social Cristã (CSU).

Se as pesquisas se confirmarem, é o líder da CDU Friedrich Merz que deve ser o novo chanceler alemão após um acordo para a formação de governo.

A maior economia da Europa enfrenta diversos desafios, como o declínio econômico, atentados recentes, alta no preço de energia, perda de competitividade para China e EUA e o número crescente de imigrantes que chega ao país.

Lésbica e conservadora

O improvável rosto da AfD hoje é Alice Weidel, uma ex-analista de investimentos de 46 anos, que trabalhou nos bancos de investimentos Credit Suisse e Goldman Sachs.

Ela cresceu em uma família católica de classe média na Renânia do Norte-Vestfália, no oeste do país. Seu pai era vendedor e sua mãe era dona de casa. Seu avô era membro do partido nazista e foi indicado juiz militar na Polônia ocupada.

Weidel trabalhou na China, onde fez doutorado em economia estudando o sistema de aposentadoria do país, e fala mandarim. Já disse que é admiradora da ex-premiê britânica conservadora Margareth Thatcher.

Apesar de a AfD ter uma plataforma anti-imigração e conservadora dominada por homens — que defende o conceito de família como um pai e uma mãe — a líder do partido é lésbica e está criando dois filhos com a produtora de filmes Sarah Bossard, sua esposa nascida no Sri Lanka mas de cidadania suíça. Weidel, a mulher e os filhos passam a maior parte de seu tempo na Suíça — segundo a líder política por causa de ameaças que recebe na Alemanha.

Críticos questionam como ela consegue conciliar posições tão antagônicas: de um lado, um casamento lésbico com uma mulher de origem asiática; do outro a visão conservadora de famílias e a proposta de expulsar alemães de etnias diferentes do país. Mas Weidel não costuma falar sobre sua vida pessoal.

Analistas políticos dizem que Weidel é responsável pela recente radicalização da AfD.

Na campanha eleitoral, a AfD propôs fechar as fronteiras da Alemanha, retomar a compra de gás natural da Rússia e, em última instância, desmantelar a UE.

O manifesto acordado pelo partido inclui planos para abandonar o acordo climático de Paris e renunciar o euro como moeda.

Weidel passou a adotar publicamente o termo “remigração” — do qual aparentemente vinha tentando se distanciar no ano passado.

Trata-se de uma proposta para deportar estrangeiros e cidadãos “não assimilados”. Ou seja: expulsar da Alemanha cidadãos nascidos no país com etnias não-alemãs.

A remigração foi foco de um grande escândalo envolvendo a AfD no ano passado (veja abaixo nesta reportagem), mas em um encontro da sigla em janeiro, Weidel falou sobre “repatriações em larga escala”.

“E tenho que ser honesta com você: se isso vai ser chamado de remigração, então é isso que vai ser: remigração”, disse ela.

Ao longo da campanha, Weidel também prometeu que, caso fosse eleita chanceler, daria um cargo em seu governo a Björn Höcke, um dos políticos mais radicais da AfD.

No ano passado, ele foi multado duas vezes por usar o slogan nazista “Alles für Deutschland” em discursos. Ele disse que usava a frase de forma corriqueira e negou estar ciente de suas origens, apesar de ter sido professor de história.

Hitler ‘de esquerda’

Ao longo da campanha eleitoral, Weidel e a AfD ganharam aliados de peso do novo governo dos EUA de Donald Trump.

Poucos dias antes da eleição, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, encontrou-se com ela logo após a Conferência de Segurança de Munique — quando Vance fez um discurso que indignou os líderes europeus, ao criticar a forma como a Europa está lidando com a crise de imigrantes.

Muitos pontos do discurso de Vance coincidem com as posições da AfD.

Esse apoio de integrantes governo americano tem ajudado a AfD a atingir mais pessoas — já que o partido é marginalizado dentro da política alemã.

Na Alemanha, e em outros países europeus, como na França, partidos mais tradicionais tentam estabelecer um “cordão sanitário” — eles se recusam a fazer alianças com partidos da direita radical.

Recentemente, Weidel e a AfD ganharam um apoio estratégico: o do bilionário Elon Musk, homem mais rico do mundo e diretor do departamento de eficiência governamental do novo governo Trump.

Elon Musk apareceu em comícios de Weidel por videoconferência declarando apoio à AfD

Em dezembro, Elon Musk apareceu em um telão em um comício da AfD na cidade de Halle e pediu que os alemães votem no partido.

E em janeiro, Weidel, que não é convidada para a maioria dos debates na Alemanha, ganhou uma plataforma grande internacional ao participar de uma live no X com Musk que durou 74 minutos, na qual ambos conversaram sobre temas diversos, como política energética, burocracia alemã, Adolf Hitler, Marte e o significado da vida.

Weidel aproveitou a conversa para ressaltar semelhanças entre seu partido e o trumpismo nos EUA: movimentos “conservadores”, “libertários” e retratados de forma negativa como “extremistas” pela “mídia tradicional”.

Na conversa com Musk, ela buscou distanciar seu partido de Adolf Hitler, que ela classifica como “de esquerda”. Weidel disse que Hitler tinha sido um “comunista”, apesar do notável anticomunismo do líder nazista, que invadiu a União Soviética.

“Ele não era conservador”, ela disse. “Ele não era um libertário. Ele era esse cara comunista, socialista.” Ela também descreveu Hitler como um “socialista antissemita”.

Origem menos radical

Apesar do perfil atual da AdF, o partido nem sempre foi vinculado à direita radical. E suas origens, a sigla defendia políticas mais moderadas.

A AfD surgiu no cenário alemão em um contexto bastante diferente dos dias de hoje. Foi em 2013, quando a Europa enfrentava uma grave crise financeira.

Países do Sul da Europa — como Grécia, Portugal e Espanha — estavam atravessando problemas de solvência da sua dívida pública, afetando a estabilidade econômica de toda a União Europeia.

A Alemanha liderou a UE em pressões para que os governos em crise adotassem medidas de austeridade fiscal que restabelecem o equilíbrio econômico do continente em troca de pacotes de ajuda financeira — mas com alto custo social para os países do Sul da Europa, que precisaram reduzir drasticamente seus gastos governamentais.

Em lugares como a Grécia, houve grande reação popular contra a Alemanha, vista como responsável por aprofundar a crise econômica do país.

Na Alemanha, também houve reações contrárias. Muitos alemães acreditavam que seu país estava sendo prejudicado pelas demais economias da União Europeia, que precisava bancar pacotes de ajuda para garantir a estabilidade econômica do continente.

A AfD foi fundada em abril em 2013 como um partido eurocético — que criticava a abordagem alemã, mas não defendia a saída alemã da União Europeia.

No seu princípio, o partido não era considerado uma sigla de direita radical, mas ao longo dos anos isso foi mudando, na medida em que muitos de seus líderes adotaram retóricas contra imigrantes e muçulmanos.

Radicalização

O primeiro grande sucesso político da AfD veio em 2015, quando o partido conseguiu estabelecer uma comissão no Parlamento para investigar se a decisão de Angela Merkel de deixar entrar cerca de 1,3 milhão de migrantes e refugiados sem documentos, principalmente do Oriente Médio, violava as leis alemãs.

A partir desse momento, a imigração virou a plataforma principal da AfD. Houve contatos com o movimento anti-imigração Pegida, que organizou marchas semanais contra o que chamou de “a islamização do Ocidente”.

Tanto o Pegida quando a AfD ganharam muito apoio no leste ex-comunista da Alemanha, sobretudo entre jovens homens.

A AfD sempre foi marcada por disputas internas, com grandes discordâncias entre alas moderadas e radicais.

AfD tem sido alvo de manifestações com multidões a Alemanha, tanto a favor como contra a silga

Em seus 12 anos de história, a AfD teve quatro líderes — e três deles abandonaram o partido reclamando que a sigla havia se afastado dos seus ideias e se radicalizado.

A primeira vez foi em 2015, quando seu primeiro líder, o economista Bernd Lucke, deixou o partido, alegando que a sigla estava se tornando cada vez mais xenófoba.

Bernd Lucke, fundador e primeiro líder da sigla, disse em 2015 que a AfD havia se tornado um partido “islamofóbico e xenofóbico”, com tendências antiocidentais e pró-Rússia.

Escândalos e ‘remigração’

Ao longo de sua ascensão na última década, a AfD também vem sofrendo com uma série de percalços e escândalos.

Em maio do ano passado, a AfD foi oficialmente classificada como “suspeito de extremismo” em uma decisão de um tribunal alemão. Isso significa que os serviços de inteligência podem monitorar as atividades e comunicações da AfD.

O tribunal da cidade Münster disse que uma parcela significativa da AfD quer criar uma sociedade de dois níveis — onde pessoas julgadas como “etnicamente alemãs” teriam mais direitos do que pessoas cujas famílias originalmente vieram do exterior. Isso, de acordo com a Constituição alemã, seria discriminação ilegal.

No processo, a AfD negou que seja antidemocrática. Líderes do partido rejeitaram a decisão, acusando os juízes de não fornecerem provas suficientes para sua decisão. A AfD foi designada como extremista de direita radical também nos Estados da Turíngia e Saxônia.

Outro grande percalço foi a expulsão da AfD do grupo Identidade e Democracia, que reúne outras siglas da direita radical do continente no Parlamento Europeu, também em maio do ano passado.

Diversos outros partidos da direita radical na Europa — como o francês Frente Nacional, de Marine Le Pen, — já vinham manifestando descontentamento com posições da AfD que são consideradas extremas demais.

Críticos vem ligações entre discurso da AfD e nazismo

O estopim para a expulsão da AfD do grupo europeu aconteceu depois que Maximilian Krah, o principal candidato da AfD para a eleição do Parlamento europeu de junho de 2024, disse a um jornal italiano que os membros da SS nazista — o grupo paramilitar de Adolf Hitler — não eram necessariamente criminosos. Além disso, auxiliares de Krah foram presos na Alemanha, suspeitos de fazer espionagem para a China.

Em outra frente, a AfD também foi abalada por uma investigação que revelou que políticos da sigla participaram de uma reunião clandestina de extremistas de direita em novembro de 2023 na qual se discutiu a “remigração” — a expulsão de cidadãos alemães baseado em suas etnias.

Na reunião em um hotel perto de Berlim, estavam presentes empresários e diversas figuras com ligações a movimentos neonazistas, como Martin Sellner, um ativista austríaco de direita radical.

Na Alemanha, esse escândalo abriu um debate nacional sobre se a AfD deveria ser banida ou não da política alemã e desencadeou uma série de protestos com grandes multidões contra a AfD em diversas cidades alemãs.

Após esses escândalos, Marine Le Pen disse que não queria mais se sentar com o partido no Parlamento Europeu.

“A AfD está passando de uma provocação para outra”, disse Le Pen. O partido, segundo ela, é “claramente controlado por grupos radicais”.

Na época, a líder Weidel buscou se distanciar dos políticos da AfD que participaram da reunião. Mas, em pronunciamentos recentes, ela parece estar agora abraçando a ideia de remigração.

Mesmo com os escândalos, a AfD foi o segundo partido mais votado na Alemanha nas eleições do parlamento europeu no ano passado, conquistando 15 das 96 vagas alemãs.

O que está pouco claro dentro do panorama da política alemã é: como os demais partidos vão tratar a AfD agora que a sigla está prestes a se consolidar como segunda força do país?

No mês passado, a CDU — partido que venceu as eleições alemãs de 2024 — quebrou um tabu ao receber apoio da AfD no Parlamento europeu para aprovar medidas mais duras contra a imigração.

O líder Friedrich Merz, que deve ser o novo chanceler alemão, foi amplamente criticado por romper o “cordão sanitário” formado contra a AfD.

Ele foi acusado pela ex-chanceler Angela Merkel, também do CDU, de quebrar uma promessa de trabalhar apenas com o Partido Social Democrata e os Verdes para aprovar a legislação, e nunca com a AfD.

Merz se defendeu dizendo que uma política não está errada só porque “as pessoas erradas a apoiam” e que ele nunca buscou o apoio da AfD.

Agro critica planejamento do governo: “Produtor não pode ser prejudicado”

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criticou o planejamento fiscal do governo federal, após a suspensão de linhas de crédito subvencionadas do Plano Safra 2024/2025. Principal representante do setor no país, a entidade disse entender as dificuldades orçamentárias, mas sugeriu que a decisão seja revista para garantir os recursos prometidos.

“O produtor rural não pode ser prejudicado pelos entraves na aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) e pela falta de planejamento perante os desafios fiscais enfrentados atualmente”, disse em nota divulgada nesta sexta-feira (21/2).

A suspensão, anunciada pelo Tesouro Nacional, foi atribuída à elevação da taxa básica de juros, a Selic, que provocou aumento de gastos para equalizar operações de crédito, e a não aprovação do PLOA de 2025 pelo Congresso.

As linhas subsidiadas do Safra oferecem uma taxa de juros de 8% para o custo de venda e um percentual de 7% a 12% para investimentos na produção. Atualmente, a Selic está em 13,25% ao ano, com expectativa de chegar a 14,25% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março.

Conforme a taxa de juro básica sobe, são necessários mais recursos orçamentários para esta operação. De acordo com a entidade, estima-se que os recursos necessários sejam de, ao menos, R$ 22 bilhões para equalizar os juros durante 2025 — que deve enfrentar uma Selic de 15% ao ano, segundo previsões do mercado.

“A decisão compromete o acesso ao crédito rural, essencial para o desenvolvimento do setor, produção de alimentos e crescimento econômico do país. Essa interrupção repentina prejudica os produtores rurais, principalmente aqueles pequenos e médios, que lançam mão dos recursos do Plano Safra para financiar suas atividades”, argumentou a CNA.

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A medida não atinge operações de custeio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que continuará disponível. A suspensão pode afetar o acesso ao crédito rural, elevando custos para os agricultores.

“A situação que já era preocupante se agravou ainda mais com a medida anunciada pelo Tesouro Nacional, sobretudo em um momento em que os produtores se preparam para financiar a safra de inverno e já haviam adquirido parte dos insumos necessários”, destacou a confederação.

Popularidade de Lula e denúncia contra Bolsonaro devem impactar mercado financeiro

A queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as denúncias contra o ex-presidente Jair Bolsonaro configuram um cenário de incerteza política que pode ter impacto direto no mercado financeiro. Analistas avaliam que essa conjuntura pode acabar pressionando ainda mais a inflação no país, e consequentemente os juros. Além disso, é esperada uma maior volatilidade no câmbio e na Bolsa.

A mais recente pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada na última sexta-feira, aponta que só 24% dos eleitores brasileiros aprovam o governo Lula, enquanto 41% reprovam a gestão. Esse é o pior nível de aprovação em todos os três mandatos do petista como presidente, e a reprovação também é recorde. Dos entrevistados, 32% avaliam o governo como regular, e 2% não souberam ou não responderam.

A inflação de alimentos, sobretudo dos itens de primeira necessidade, é a protagonista de um início de ano desafiador para o governo. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o grupo alimentação e bebidas subiu 0,96% só no mês de janeiro, representando assim impacto de 0,21 ponto porcentual na inflação do mês.

“O ponto é que atualmente, mediante falas equivocadas e decisões, digamos, não bem tomadas, a credibilidade do governo Lula está abalada”, destaca o educador financeiro João Victorino. “E é óbvio que o aumento do dólar piora toda a situação de perda de poder de compra para a população, onde os juros e taxas estão altas. Esse cenário aumenta a inflação e o povo acaba sendo o maior prejudicado, tendo que lidar com preços exorbitantes em áreas tão essenciais como a alimentação”, complementou.

A polarização política também ganhou uma variável com a recente denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado. “A queda na popularidade do presidente Lula, somada às denúncias contra Bolsonaro e sua inelegibilidade, adiciona um fator de incerteza relevante ao cenário político e econômico brasileiro”, destaca Pedro Ros, CEO da Referência Capital.

Segundo ele, essa combinação adiciona um fator de incerteza relevante ao cenário político e econômico brasileiro. “O mercado precifica com antecedência os riscos políticos, e essa instabilidade pode gerar volatilidade cambial, ajustes nas taxas de juros e mudanças na percepção de risco sobre o Brasil”, alerta.

No curto prazo, Ros avalia que a indefinição política pode levar a um comportamento mais conservador do setor produtivo, reduzindo investimentos e retardando decisões estratégicas. “No entanto, um ambiente de maior previsibilidade fiscal e política, independentemente do vencedor, será determinante para o crescimento econômico sustentável”, diz

De acordo com Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio, as duas situações podem ter impacto no mercado, já que a redução do apoio popular dificulta a articulação política do governo, afetando a aprovação de reformas e políticas econômicas. A ausência de Bolsonaro no cenário eleitoral de 2026, por sua vez, pode fragmentar a base conservadora aumentando a volatilidade eleitoral. “Esse contexto gera cautela nos investidores, refletindo-se em oscilações cambiais e prêmios de risco elevados”, avalia.

Para Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike, a queda na popularidade do presidente Lula pode dar espaço a um aumento de medidas populistas para tentar reverter esse cenário, que podem resultar em um “desajuste fiscal mais significativo”.

“No curto prazo, é possível que a economia apresente um desempenho positivo, com o PIB (Produto Interno Bruto) de 2026 projetado para crescer cerca de 2%, o que não é um resultado ruim. Além disso, no começo do ano, parece que a inflação começou a ser controlada, e os últimos dados indicam uma contração econômica”, destaca. “No entanto, a queda na popularidade de Lula pode levar a uma série de medidas populistas que priorizem o curto-prazismo, em detrimento da responsabilidade fiscal”, pondera.

A nova denúncia contra Bolsonaro, somada à sua inelegibilidade até 2030 e à queda de popularidade de Lula, redefine o cenário político para 2026, afirma Paulo Merotti, sócio da Equus Capital. “Cresce a incerteza sobre a continuidade da tradicional polarização política dos últimos anos, abrindo espaço para novos atores e protagonistas do cenário político nacional”, projeta. “Nos mercados, a instabilidade política tem aumentado a volatilidade no câmbio e na bolsa, com o real atingindo mínimas históricas diante do dólar, apesar da tímida recuperação nas últimas semanas”, acrescenta.